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Título: Desenvolvimento, sustentabilidade e manejo madeireiro em comunidades no sudoeste da Amazônia: um olhar para além da engenharia florestal
Título(s) alternativo(s): Development, sustainability and wood management in communities in the southwest of the brazilian Amazonian: a glance besides the forest engineering
Autor : Carvalho, Ricardo da Silveira
Primeiro orientador: Oliveira, Antônio Donizette de
Primeiro membro da banca: Mafra, Flávia Luciana Naves
Scolforo, José Roberto Soares
Paula, Elder Andrade de
Área de concentração: Ciências Florestais
Palavras-chave: Sustentabilidade
Manejo madeireiro
Comunidades
Amazônia
Sustainability
Wood management
Communities
Amazonian
Data da publicação: 24-Set-2014
Referência: CARVALHO, R. da S. Desenvolvimento, sustentabilidade e manejo madeireiro em comunidades no sudoeste da Amazônia: um olhar para além da engenharia florestal. 2009. 188 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Florestal)-Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2009.
Resumo: Esta pesquisa se dá no contexto do alegado e inevitável embate entre pecuária e manejo florestal madeireiro enquanto opções tecnológicas para o desenvolvimento de comunidades que vivem na floresta do estado do Acre, Brasil. Então, esse estudo visa contribuir com a análise da sustentabilidade da política de difusão desse tipo de manejo, em curso há mais de uma década nesse estado da Amazônia brasileira. Para tal pretendeu responder, além de outras delas derivadas, as seguintes questões básicas: (1) Como se deu a construção histórica dos conceitos de "desenvolvimento"?; (2) O manejo florestal madeireiro comunitário é viável financeiramente na escala praticada hoje no Acre? Qual a influencia dos subsídios e da taxa de juros nessa viabilidade?; (3) Há diferença significativa entre a estrutura original da floresta (inventário 100%) e a estrutura remanescente (inventário 100% - árvores selecionadas para abate) na escala praticada? e (4) Quais os impactos do processo de difusão do manejo em elementos importantes da estrutura social existente, como relações com a floresta e com o mercado e organização local do trabalho? Cada pergunta corresponde a um capítulo, que têm metodologias próprias para respondê-las e conversam entre si por 3 categorias de análise: teoria, tecnologia e estrutura. Para Donald Schon, qualquer sistema social consiste, basicamente, de uma estrutura, uma tecnologia e uma teoria. A estrutura é o conjunto de papéis e de relações entre os membros, a tecnologia é o conjunto vigente de normas e praxes consolidadas - através do qual as coisas são feitas e os resultados conseguidos e a teoria é o conjunto de regras epistemológicas segundo o qual a realidade interna e externa é interpretada e tratada em termos práticos. Ao mesmo tempo estas categorias dão conta das 3 dimensões do conceito do ´desenvolvimento sustentável, que seria materializado em tecnologias rentáveis, eco-eficientes e socialmente justas. O diálogo dos resultados obtidos nos capítulos mostra que as relações entre a teoria científico-mercadológica hegemônica e a tecnologia proposta se mostram em desordem. O maior cuidado técnico-científico na exploração da madeira, além de não garantir a conservação da estrutura da floresta como sugere o capítulo IV, não se reverteu em ganho financeiro para essas comunidades, como se viu no capítulo III. Comunidades que, aliás, como se viu no capítulo V, nunca tinham sequer pensado esse tipo de exploração em suas florestas, tendo sido abordados numa ação de convencimento, de difusão do manejo madeireiro. Ou seja, pelos casos estudados, parece que a política de difusão do manejo madeireiro em comunidades no Acre não cumpriu nenhuma de suas promessas originais: é limitada na conservação da estrutura da floresta, não gera renda se não contar com subsídios e, por essa frustração na renda, aponta para uma tendência de colocar em movimento aquilo que buscava inicialmente conter, a pecuária; além de estabelecer também duas tendências de manejo madeireiro que não alteram significativamente a organização do trabalho nas comunidades, a exemplo da pecuária: o manejo empresarial no Porto Dias e o manejo estatal nas outras duas comunidades. A dependência do Estado do Acre dos financiadores externos é determinante, em nossa análise, para esse frutificar de projetos de manejo madeireiro em comunidades de seringueiros. Ou seja, a estratégia é atualmente, como sempre foi para esses financiadores, promover mudanças na dimensão tecnológica da sociedade acreana, mas agora contando com uma tecnologia eleita entre ´alternativas de desenvolvimento´ supostamente capazes de compatibilizar interesses econômicos com a conservação ambiental e a justiça social. As demais dimensões, teórica e estrutural, mesmo que, respectivamente, irreal e injusta, herdadas ainda do século XIX e estabelecidas sob a teoria do mercado auto-regulável e da ausência do estado, mantêm-se maquiadas e configuravam um ambiente onde, a força econômica é o único determinante do poder e do controle. Pelo que vimos nesse estudo, conclui-se que o futuro dessas áreas passa mais pelo que os bilhões de habitantes fizerem aqui fora do que pelo que as dezenas de milhares fizerem lá dentro. Num ou noutro lugar o sistema movido pela boa ganância de Adam Smith levará a desequilíbrios sócio-ambientais. Sempre foi assim, em qualquer lugar. Por fim, o cerne da atual política de difusão do manejo madeireiro em comunidades no Acre é a viabilidade financeira pelo subsídio e não pela técnica. O oposto do preconizado pelo pensamento hegemônico que a financia.
This research discusses the alleged and inevitable debate between livestock production and forest management as technological options for development of communities that live in the forest of the state of Acre, Brazil. The study looks forward to contribute with the analysis of the sustainability of the politics of diffusion the ongoing management in that state of the Brazilian Amazon. For such, it intend to answer, among others, the following basic questions: (1) How, historically the concept of “development” was constructed?; (2) is the forest management community financially viable in the scale practiced today in Acre? What are the influence of the subsidies and of the interest rate in that viability?; (3) is there a significant difference between the original structure of the forest (inventory 100%) and the remaining structure (inventory 100% less select trees for being cut) in the practiced scale? and (4) Which are the impacts of the process of diffusion of the management in important elements of the existent social structure, as the relationships with the forest and with the market and local organization of the work? Each question will be answered in a chapter possessing a specific methodology. The interrelation among them is also analyzed in three categories of analysis: theory, technology and structure. Any social system consists, basically, of a structure, a technology and a theory. The structure is the group of roles and of relationships among the members, the technology is the effective group of consolidated norms –through which things are done and praxis and the theory is the group of epistemological rules in which the reality it expresses is interpreted and treated in practical terms. At the same time these categories expresses the three dimensions of the concept of ‘unstable development' that would be materialized in profitable, echo-efficient and socially fair technologies. The interaction of the obtained results in each chapter indicates that the relationships among the scientific-hegemonic market theory and the proposed technology are not in order. The largest technical and scientific care in the wood exploitation, besides not guaranteeing the conservation of the structure of the forest as suggests the chapter III, was not reverted in financial earnings for the communities. Communities, as seen in chapter IV, had never thought about that exploitation type for their forests, were submitted in a convincing way to diffuse wood management. In other words, according to the studied cases, it seems that the politics of the wood management diffusion in communities in Acre didn't accomplish none of their original promises: it is limited to the conservation of the structure of the forest, it doesn't generate income and it doesn't count on subsidies and, due to the frustration in income generation, it appears that there is a tendency of developing livestock that, initially, it tried to avoid. Besides, also establishing two tendencies of wood management that, significantly, don't alter their work organization, e.g., the livestock: the managerial management in Porto Dias and the state management in other two communities. The dependence of the State of Acre on the external backers is required, according to the analysis, to wood management projects in rubber communities to fructify. In other words, the strategy is now, as it always was to those backers, to promote changes in the technological dimension of the Acrean society, but now, counting on technologies chosen among alternatives ‘of development' supposedly capable of harmonizing economical interests with environmental conservation and with social justice. The other dimensions, theoretical and structural, even if, respectively, unreal and unjust, inherited of the XIX century and established under the theory of the self regulated market and of the absence of the state, stay disguised and they configured an environment in which the economical force is the only determinant of the control power. Therefore, as seen in this study, it can be concluded that the future of those areas depends more on what the billions of inhabitants do outside than on what the dozens of thousands do inside there. In one or in another place the system moved by Adam Smith’s greed will arrive in a social and environmental unbalances. It has always been this way, anywhere. Finally, the heart of the current politics of the wood management diffusion in communities in Acre is its financial viability via subsidy and not via technique development and adoption. It is just the opposite of what is proposed by the hegemonic thought that finances it.
URI: http://repositorio.ufla.br/jspui/handle/1/3922
Publicador: UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS
Idioma: pt_BR
Aparece nas coleções:DCF - Engenharia Florestal - Mestrado (Dissertações)
LEMAF - Teses e Dissertações



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