MARIA EDUARDA DE SOUZA TEIXEIRA CAMPOS DETECÇÃO DE Salmonella spp., Escherichia coli e Staphylococcus spp. EM ARDEÍDEOS: INVESTIGAÇÃO DE POTENCIAIS RESERVATÓRIOS LAVRAS - MG 2023 MARIA EDUARDA DE SOUZA TEIXEIRA CAMPOS DETECÇÃO DE Salmonella spp., Escherichia coli e Staphylococcus spp. EM ARDEÍDEOS: INVESTIGAÇÃO DE POTENCIAIS RESERVATÓRIOS Dissertação apresentada à Universidade Federal de Lavras, como parte das exigências do Programa de Pós- Graduação em Ciências Veterinárias, área de concentração em Patologia Animal, para a obtenção do título de Mestre. Dra. Angelica Terezinha Barth Wouters Orientadora Dra. Elaine Maria Seles Dorneles Coorientadora Protocolo SISBIO: 76075-1 Protocolo CEUA/UFLA: 35/20 LAVRAS-MG 2023 Ficha catalográfica elaborada pelo Sistema de Geração de Ficha Catalográfica da Biblioteca Universitária da UFLA, com dados informados pelo(a) próprio(a) autor(a). Campos, Maria Eduarda de Souza Teixeira Campos. Detecção de Salmonella spp., Escherichia coli e Staphylococcus spp. Em ardeídeos: investigação de potenciais reservatórios / Maria Eduarda de Souza Teixeira Campos. – 2023. 79 p. : il. Orientador(a): Angélica Terezinha Barth Wouters. Coorientador(a): Elaine Maria Seles Dorneles. Dissertação (mestrado acadêmico) - Universidade Federal de Lavras, 2023. Bibliografia. 1. Enterobacteriaceas. 2. Aves selvagens. 3. Patógenos zoonóticos. 4. Salmonelose. I. Wouters, Angélica Terezinha Barth. II. Dorneles, Elaine Maria Seles. T. Título. O conteúdo desta obra é de responsabilidade do(a) autor(a) e de seu orientador(a). MARIA EDUARDA DE SOUZA TEIXEIRA CAMPOS DETECÇÃO DE Salmonella spp., Escherichia coli e Staphylococcus spp. EM ARDEÍDEOS: INVESTIGAÇÃO DE POTENCIAIS RESERVATÓRIOS DETECTION OF Salmonella spp., Escherichia coli and Staphylococcus spp. IN ARDEIDES: INVESTIGATION OF POTENTIAL RESERVOIRS Dissertação apresentada à Universidade Federal de Lavras, como parte das exigências do Programa de Pós- Graduação em Ciências Veterinárias, área de concentração em Patologia Animal, para a obtenção do título de Mestre. Aprovada em 07/12/2022 Dra. Angelica T. Barth Wouters – UFLA Dr. Flademir Wouters – UFLA Dra. Bruna Resende Chaves - UNILAVRAS Dra. Angelica Terezinha Barth Wouters Orientadora Dra. Elaine Maria Seles Dorneles Coorientadora LAVRAS-MG 2023 DEDICATÓRIA “Que se um dia eu pensar em desistir, o Senhor segure a minha mão impedindo minha queda. Que se um dia eu não acreditar em mim, que o senhor acredite e me faça enxergar tudo aquilo que não consigo ver. Que o senhor esteja sempre aqui por mim!” Okê Arô AGRADECIMENTOS A Deus, pelo dom da vida e por nos oferecer novas chances todos os dias ao amanhecer. Aos meus guias, que me protegem e iluminam minha caminhada. À minha família, por me dar amor e suporte, sempre. À minha mãe Andreza e à minha avó Mariza, por não medirem esforços para a realização dos meus sonhos e objetivos. Ao Matheus, por ser um grande amigo, companheiro, porto seguro e exemplo de disciplina. À Universidade Federal de Lavras, por todos estes anos de aprendizado. Agradeço também ao Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES)- Código de financiamento 001. À professora Angelica, por todos esses anos de parceria e orientação, pela confiança depositada em mim e por ser grande exemplo de pessoa e profissional. À professora Elaine agradeço pela oportunidade de expandir para novos horizontes de conhecimento, pelos aprendizados e por ter acreditado e investido na execução deste trabalho. Aos demais professores do Setor de Patologia Veterinária. Agradeço o privilégio de poder aprender durante todos estes anos com vocês. Agradeço em especial ao professor Flademir, por me auxiliar na leitura das lâminas histopatológicas e também por todo exemplo profissional e pessoal. À Dircéia, pelo conhecimento compartilhado e grande auxilio na execução do projeto de mestrado. À Maysa, por toda boa vontade e disposição em ajudar. À Isabella e à Paola, por toda ajuda na execução do experimento e por me permitirem ensinar e aprender. Às equipes do LEM e do SPV pelo suporte e amizades feitas. Muito obrigada! RESUMO Ardeídeos são aves da Ordem Pelecaniformes, que se deslocam por grandes distâncias e formam densos ninhais em ambientes naturais e urbanos. Seu comportamento sinantrópico pode facilitar a disseminação de patógenos zoonóticos e de microrganismos resistentes a antimicrobianos. A pesquisa visou investigar se os Pelecaniformes de um ninhal localizado na zona urbana de Lavras, dentro do Campus da Universidade Federal de Lavras (UFLA), construído na área de um riacho que atravessa a cidade, são portadores de Salmonella spp., E. coli e Staphylococcus spp. e correlacionar as infecções à ocorrência de lesões macro e microscópicas nas aves examinadas. Na estação reprodutiva de 2021 foram realizadas visitas diárias a um ninhal de Pelecaniformes localizado no campus da UFLA. Filhotes encontrados mortos foram recolhidos e encaminhados ao Setor de Patologia Veterinária (SPV) da UFLA para exames. Filhotes encontrados caídos dos ninhos e moribundos também foram recolhidos, pesados, anestesiados e eutanasiados. Foi realizada avaliação macroscópica dos órgãos e tecidos, com descrição e registro fotográfico das alterações encontradas. Fragmentos de órgãos e tecidos foram colhidos e armazenados em formol a 10%, processados, corados com hematoxilina e eosina para análise histológica e avaliados em microscópio ótico. Foram coletadas excretas intracloacais de todos os cadáveres, bem como suabes de órgãos com lesões macroscópicas sugestivas dos microrganismos de interesse. Um suabe de cada material coletado foi armazenado em tubo contendo água peptonada tamponada e outro em meio de transporte Stuart, com identificação dos tubos de acordo com o registro de necrópsia. As amostras foram encaminhadas para o LEM - UFLA para isolamento de Salmonella spp., E. coli e Staphylococcus spp. Até cinco colônias isoladas característica de cada microrganismo de interesse foram submetidas a testes preliminares de avaliação da morfologia microscópica por esfregaços corados por Gram; testes de catalase e coagulase para caracterização de Staphylococcus spp. e testes bioquímicos para as amostras sugestivas de Salmonella spp. Foram realizados testes de PCR utilizando primers específicos para cada um dos microrganismos. Foram avaliadas 10 garças-brancas-grandes (Ardea alba) e cinco garças- vaqueiras (Bubulcus ibis), a maioria dessas aves (92,85%) eram filhotes, com prevalência de 42,85% de Salmonella spp. e 64,28% de E. coli. Nenhuma ave foi detectada com S. aureus. A grande maioria dos isolados foi obtida por suabe cloacal, o que significa que os agentes estavam sendo eliminados pelas excretas das aves e representam preocupação significativa para a saúde pública, ademais, os ardeídeos são aves conhecidas por voos longos, o que indica que podem disseminar patógenos em diferentes áreas. Palavras chave: Enterobacteriaceas. Aves selvagens. Patógenos zoonóticos. Salmonelose. ABSTRACT Ardeids are birds of the Order Pelecaniformes, which move over great distances and form dense nests in natural and urban environments. Its synanthropic behavior can facilitate the spread of zoonotic pathogens and antimicrobial-resistant microorganisms. The research aims to investigate whether the Pelecaniformes from a nest located in the urban area of Lavras, within the Campus of the Federal University of Lavras (UFLA), built in the area of a stream that crosses the city, are carriers of Salmonella spp., E. coli and Staphylococcus spp. and to correlate the infections with the occurrence of macro and microscopic lesions in the examined birds. In the 2021 breeding season, daily visits were made to a nest of Pelecaniformes located on the UFLA campus. Puppies found dead were collected and sent to the UFLA SPV for examination. Cubs found fallen from the nests and dying were also collected, weighed, anesthetized and euthanized. A macroscopic evaluation of the organs and tissues was carried out, with a description and photographic record of the alterations found. Organ and tissue fragments were collected and stored in 10% formalin, processed, stained with hematoxylin and eosin for histological analysis and evaluated under an optical microscope. Intracloacal excreta were collected from all cadavers, as well as swabs from organs with macroscopic lesions suggestive of the microorganisms of interest. One swab of each material collected was stored in a tube containing buffered peptone water and another in Stuart transport medium, with identification of the tubes according to the necropsy record. Samples were sent to LEM - UFLA for isolation of Salmonella spp., E. coli and Staphylococcus spp. Up to five isolated colonies characteristic of each microorganism of interest were submitted to preliminary tests of evaluation of the microscopic morphology by Gram-stained smears; catalase and coagulase tests for characterization of Staphylococcus spp. and biochemical tests for samples suggestive of Salmonella spp. PCR tests were performed using specific primers for each of the microorganisms. Ten Great Egrets (Ardea alba) and five Cattle Egrets (Bubulcus ibis) were evaluated, most of these birds (92.85%) were young, with a prevalence of 42.85% of Salmonella spp. and 64.28% E. coli. No birds were detected with S. aureus. The vast majority of isolates were obtained by cloacal swab, which means that the agents were being eliminated by the birds' excreta and represent a significant public health concern. pathogens in different areas. Keywords: Enterobacteriaceae; wild birds; Zoonotic pathogens; Salmonellosis. LISTA DE FIGURAS PRIMEIRA PARTE Figura 1 – Exemplar de garça-branca-grande (Ardea alba) ........................................ 4 Figura 2 – Exemplar de garça-vaqueira (Bubulcus ibis) ............................................. 5 Figura 3 – Ardeídeos alimentando-se próximo a lixo doméstico no Rio Pinheiros, na cidade de São Paulo/SP, Brasil ............................................................. 6 Figura 4 – Esquema representativo sobre a interação entre aves de vida livre, resíduos urbanos, animais domésticos, humanos e meio ambiente, demonstrando a capacidade das aves como vetores de microrganismos.... 8 SEGUNDA PARTE Figure 1 – Trash found in the Pelecaniformes nesting area at UFLA during the 2021 breeding season …………………………………………………... 46 Figure 2 – Coelomic cavity of Cattle Egret collected in the breeding season of 2021 in the Pelecaniformes nest of UFLA, liver with pale areas and white dots 48 Figure 3 – Intestine with blackened contents of a Great Egret specimen collected in the 2021 breeding season at the Pelecaniformes nesting site at UFLA.… 48 Figure 4 – Liver of great egret collected in the breeding season of 2021 in the Pelecaniformes nest of UFLA, with multifocal lymphohistiocytic inflammatory infiltrate. H&E, obj. 20x...................................................... 49 Figure 5 – Hemorrhagic lesions in the subcutaneous tissue of the head and neck, compatible with traumatic injuries, in Great Egret chicks collected at the UFLA Pelecaniformes nesting site in the 2021 breeding season and necropsied at the UFLA Veterinary Pathology Sector. (A) Dorsal view. (B) Side view…………………………………………………………... 49 Figure 6 – Ethidium bromide stained 1% agarose gel (0.5 mg/ mL) of Salmonella spp., Escherichia coli and Staphylococcus aureus. PCR performed on ardeid samples from Lavras, Minas Gerais, Brazil. A) Salmonella spp. PCR: ATCC (14028) used as positive control and samples tested negative (NS) and positive (PS). B) Escherichia coli PCR: ATCC (25922) used as positive control and sample tested positive (PS). C) Staphylococcus aureus PCR: ATCC sample (25923) used as a positive control, and negative samples (NS). 100 bp DNA Ladder (Ludwig Biotec, Brazil) (L); Negative control (NC)............................................... 54 LISTA DE TABELAS SEGUNDA PARTE Table 1 – Ardeids collected in a nest of Pelecaniformes located on the Campus of the Federal University of Lavras, in Lavras, Minas Gerais, Brazil, microorganisms detected and location of detection in each individual, necropsy diagnosis and lesions related to the detected microorganism….. 50 Table 2 – E. coli phylogroups detected in ardeids collected in a Pelecaniformes nest located on the Campus of the Federal University of Lavras, in Lavras, Minas Gerais, Brazil……………….............................................. 55 SUMÁRIO PPRIMEIRA PARTE .............................................................................................................. 1 1.Introdução ................................................................................................................................ 1 2.Referencial Teórico ................................................................................................................. 2 2.1 Ardeídeos .............................................................................................................................. 2 2.2 O potencial dos ardeídeos como reservatório e disseminadores de patógenos .................... 6 2.3 Salmonella spp. ..................................................................................................................... 9 2.4 Escherichia coli................................................................................................................... 15 2.5 Staphylococcus spp. ........................................................................................................... 19 3.Considerações finais .............................................................................................................. 21 4.Referências ............................................................................................................................ 23 SEGUNDA PARTE ................................................................................................................ 39 DETECTION OF Salmonella spp., Escherichia coli and Staphylococcus aureus IN ARDEIDS: INVESTIGATION OF POTENTIAL RESERVOIRS ......................................... 40 Summary: ................................................................................................................................. 40 1.Introduction ........................................................................................................................... 41 2. Materials and methods .......................................................................................................... 43 For isolation of Salmonella sp., swabs were cultured in BPW at 37 ◦C for 18 hours. After incubation, the samples were homogenized and enriched in Rappaport- Vassiliadis (Rp) broth (Kasvi, Madrid, Spain) and in Tetrathionate broth Broth Base (Tt) (Difco, Le Pont de Claix, France) at 42◦C under aerobic conditions, for 24 hours, simultaneously. ................................ 44 3.Results ................................................................................................................................... 46 4.Discussion .............................................................................................................................. 55 5.Conclusion ............................................................................................................................. 58 6.References ............................................................................................................................. 59 1 PRIMEIRA PARTE 1 INTRODUÇÃO Os ardeídeos são aves pertencentes à Ordem Pelecaniformes, adaptados a áreas de águas rasas, onde utilizam o ambiente para captura de alimentos, repouso e reprodução e se deslocam por grandes distâncias em busca desses corpos d’água. Formam densos ninhais em ambientes naturais e urbanos. Seu comportamento sinantrópico pode facilitar a disseminação de patógenos zoonóticos e de microrganismos com resistência antimicrobiana. Diversas bactérias patogênicas já foram isoladas de aves selvagens, como Salmonella spp., Escherichia coli e Staphylococcus spp., além de haver relatos da transmissão indireta desses patógenos para seres humanos. Esses microrganismos são motivo de grande preocupação para a saúde pública. Salmonella spp. são uma das principais causas de diarreia em todos os continentes, com altos índices de morbidade e mortalidade em humanos. E. coli possui cepas responsáveis por causar graves doenças gastrointestinais e sistêmicas, além de apresentar alta plasticidade genética, sendo capaz de fornecer genes de patogenicidade, que podem transitar e proporcionar importantes recombinações gênicas entre bactérias. Já Staphylococcus sp. possui cepas com ampla resistência a antimicrobianos, responsáveis por importantes infecções nosocomiais. 2 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Ardeídeos Os ardeídeos pertencem à Família Ardeidae, Ordem Pelecaniformes e são aves de ampla distribuição geográfica; elas ocorrem em todos os continentes. Possuem porte pequeno a médio, pernas e dedos compridos, pescoço fino e bico longo e pontudo e geralmente ocorrem em regiões pantanosas ou salobras (KUSHLAN; HANCOCK, 2005). São aves adaptadas a áreas de águas rasas (SILVA, 2011), nas quais utilizam o ambiente para captura de alimentos, repouso e reprodução (SMITH, 1995) e se deslocam por grandes distâncias em busca desses corpos d’água (BERNARDON, 2013). Os ardeídeos ocupam o topo da cadeia trófica, com dieta diversificada e oportunista, alimentam-se de insetos, anfíbios, peixes, répteis e moluscos (BELTON, 2004; KUSHLAN; HANCOCK, 2005). A Família Ardeidae possui mais de 60 espécies (BERNARDON, 2013), entre elas a garça-vaqueira (Bubulcus ibis), a garça-branca-grande (Ardea alba), a garça-branca-pequena (Egretta thula) e o savacu (Nycticorax nycticorax) (SICK, 1997). A nidificação dos Ardeídeos ocorre comumente em grupos mistos, formados por diversas espécies de aves (SMITH, 1995). Constroem densas colônias em arbustos localizados em áreas úmidas, como manguezais e banhados (BELTON, 2004), que podem ser formadas no mesmo sítio reprodutivo ao longo de várias temporadas, ou variar de local de acordo com a disponibilidade de alimento (FREDERICK, 2002). Os ninhais representam importante papel na ecologia dessas aves, pois o agrupamento favorece a defesa contra predadores e facilita a busca por parceiros e alimentos (SCHLOEMP, 1995), embora possam causar devastação intensa das áreas em que estão assentados, devido ao acúmulo de fezes, cadáveres e ovos em decomposição, com odor fétido e poluição sonora gerada pela vocalização das aves (GRANT; WATSON, 1995). 2.1.1 Garça-branca-grande (Ardea alba) A garça-branca-grande (Ardea alba) (FIGURA 1), também conhecida como garça- branca, possui plumagem toda branca, pescoço longo, bico amarelo e pernas e dedos pretos (BELTON, 1994). Mede 90 a 102 cm de comprimento e pesa 700 a 1700g (HANCOCK, 1999; MARTÍNEZ-VILALTA et al., 2016). A longevidade da espécie é de 22 anos (BIRDLIFE INTERNATIONAL, 2019a). 3 Assim como os demais ardeídeos, as garças-brancas-grandes vivem próximas de ambientes aquáticos. Sua dieta é composta predominantemente por peixes, embora também se alimentem de invertebrados, répteis, anfíbios e roedores (SILVA, 2011). Costumam caminhar lentamente dentro da água, próximas a margens rasas, à procura de alimento (MATARAZZO- NEUBERGER, 1994), onde são vistas alimentando-se solitárias, embora possam formar pequenos ou até mesmo grandes bandos, de acordo com a disponibilidade de alimento (DEL HOYO et al., 1992). Além disso, podem percorrer longas distâncias, voando em bandos pequenos ou numerosos (BELTON, 1994). A espécie ocorre em diferentes tipos de zonas úmidas, interiores e costeiras (DEL HOYO et al., 1992). Ocorrem em todos os continentes, com exceção da Antártida, com tendência de distribuição populacional desconhecida (BIRDLIFE INTERNATIONAL, 2019b). São aves migratórias (SICK, 1997), embora no Brasil seja considerada pelo CBRO (2021) uma ave residente. Essas garças são comumente vistas em lagos, córregos e rios, inclusive de áreas urbanas de grandes cidades, como nos rios Tietê e Pinheiros, dentro da cidade de São Paulo/SP (MATARAZZO-NEUBERGER, 1994; SCHLOEMP, 1995). O período reprodutivo das garças-brancas-grandes varia geograficamente (DEL HOYO et al., 1982). Em regiões de clima temperado a nidificação tende a ocorrer de abril a julho, enquanto que em áreas de clima tropical a reprodução tende a ocorrer próxima ao período de chuvas, quando há maior disponibilidade de alimento (KUSHLAN; HANCOCK 2005). Possuem hábito diurno e crepuscular (BELTON, 1994) e normalmente não continuam a frequentar os ninhais nos períodos noturnos fora da estação reprodutiva (BELLA, 2003). Durante a estação reprodutiva o peito e o dorso das aves assumem cor ferrugem e o bico e o tarso ficam avermelhados (SICK, 1997). A nidificação pode ocorrer de forma solitária ou em colônias de diferentes tamanhos (ARBALLO; CRAVINO, 1999), por vezes associadas a outras espécies (DEL HOYO et al., 1992). No caso de ninhais mistos, as garças-brancas-grandes tendem a confeccionar seus ninhos em árvores mais altas (BELLA, 2003), nos quais ovipõem dois ou três ovos cinza- azulados, cujo período de incubação é de 25 a 26 dias (SICK, 1997). 4 Figura 1 – Exemplar de garça-branca-grande (Ardea alba). Fonte: Imagem de Cristiano Voitina. 2.1.2 Garça-vaqueira (Bubulcus ibis) A garça-vaqueira (Bubulcus ibis) (FIGURA 2) é uma espécie originária da África e da Europa, onde ocupava planícies de inundação periódica (BIRDLIFE INTERNATIONAL, 2019b). Ao longo do tempo, a espécie se dispersou por todos os continentes, com registro de visualização até na Antártida (SICK, 1997). Nas Américas a primeira observação da espécie ocorreu na fronteira entre Guiana e Suriname, em 1877 e, posteriormente, em torno de 1948, se tornou abundante em toda a América do Sul (WETMORE, 1963; CROSBY, 1972), inclusive no Brasil, onde o primeiro registro de garça-vaqueira ocorreu na Ilha de Marajó, estado do Pará (SICK, 1979). As garças-vaqueiras são diurnas (KUSHLAN; HANCOCK, 2005), com hábito de forrageamento ativo e dieta oportunista, composta principalmente por insetos que vivem associados ao gado, como grilos e gafanhotos, além de aranhas, pequenos anfíbios e répteis (TELFAIR, 1993; BELLA, 2003). O forrageamento ocorre comumente em áreas de campo aberto, onde as aves costumam forragear sozinhas ou acompanhando bovinos, aproveitando- se dos insetos levantados no capim pela movimentação dos bovinos (MUKHERJEE, 2013; FAVORETTO, 2019). A plumagem das garças-vaqueiras é branca e durante as estações reprodutivas ficam alaranjadas no alto da cabeça, no peito e nas costas (HANCOCK; KUSHLAN, 1984). Medem 5 48 a 53 cm de comprimento e pesam 270 a 510 g (SICK, 1997). Fêmeas e machos são semelhantes, porém os machos são um pouco maiores e apresentam penas ligeiramente mais longas no período reprodutivo (MCKILLIGAN, 2005). A longevidade da espécie é de 23 anos (KOPIJ, 2017). A temporada reprodutiva das garças-vaqueiras pode ocorrer de forma sazonal, varia de acordo com a região de estabelecimento do ninhal (FAVORETTO, 2019) e com a disponibilidade de alimento (MUKHERJEE, 2013). Formam casais monogâmicos sazonais, mas no início da formação é possível encontrar temporariamente trios compostos por um macho e duas fêmeas (CRAMP; SIMMONS, 1977). A maturidade reprodutiva das garças- vaqueiras é precoce e tem início no fim do primeiro ano de vida (SICK, 1997). As fêmeas ovipõem em média dois a três ovos de casca azul clara (HILALUDDIN et al., 2003) e a incubação ocorre em 21 a 24 dias (WEBER, 1975). Sobrevivem em média um a dois filhotes até o fim do período dos cuidados parentais (KOUR; SAHI, 2013). Em ninhos com eclosão de três ovos, normalmente o terceiro filhote morre de desnutrição em poucos dias (BLAKER, 1969). Além disso, filhotes com diferença de idade tendem a competir por alimento; os filhotes mais velhos se beneficiam mais facilmente, pois agarram o bico dos adultos para receber alimento e bicam a cabeça dos filhotes mais jovens para expulsá-los do ninho (WEBER, 1975). Essas bicadas causam importantes traumas e lesões perfurocontusas, geralmente fatais (FAVORETTO, 2019). Figura 2 – Exemplar de garça-vaqueira (Bubulcus ibis). Fonte: Imagem de Cristiano Voitina. 6 2.2 O potencial dos ardeídeos como reservatório e disseminadores de patógenos Os ardeídeos podem nidificar tanto em ambientes naturais quanto em áreas urbanas ou periurbanas, sendo frequentemente vistos em praças, parques, portos e vilas de pescadores (SCHERER et al., 2006). As áreas urbanas oferecem melhores recursos, incluindo alimento, abrigo e menor pressão de predadores, o que favorece o estabelecimento e a expansão populacional de diversas espécies (MARTÍN-MALDONADO et al., 2020). Alguns ardeídeos são vistos frequentemente também em associação a criações de animais domésticos, como ruminantes e equinos, durante o forrageamento das aves (GOPEE et al., 2000; DELLA BELLA; AZEVEDO-JÚNIOR 2004; FONTENELLE, 2006), A maior disponibilidade de recursos para as aves nas cidades, atrelada a temperaturas mais amenas no inverno em consequência de mudanças climáticas, permite que muitas espécies de aves selvagens encurtem ou até interrompam suas migrações, formando populações de aves residentes (GALVÁN et al., 2003; GILBERT et al., 2015; MARTÍN- MALDONADO et al., 2020), como ocorre frequentemente com as garças. Muitas espécies de animais coabitam em áreas urbanas e periurbanas (pardais, pombos, urubus, lagartixas, ratos e até guaxinins e javalis) utilizando os recursos fornecidos pelas atividades humanas para sobreviver, alimentar e reproduzir (MIRANDA, 2017). Locais de depósito de lixo e aterros sanitários são, por exemplo, áreas cada vez mais frequentadas por ardeídeos (FIGURA 3) (SEEDIKKOYA; AZEEZ; SHUKKUR, 2013). Figura 3 – Ardeídeos alimentando-se próximo a lixo doméstico no Rio Pinheiros, na cidade de São Paulo/SP, Brasil. Fonte:https://noticias.r7.com/sao-paulo/animais-vistos-no-rio-pinheiros-sp-criam-expectativa-de- despoluicao-22042021 (2021). https://link.springer.com/article/10.1186/s40462-016-0070-0#auth-Nathalie_I_-Gilbert 7 Em contrapartida, as áreas urbanas favorecem também o desenvolvimento de intoxicações, como botulismo; bioacumulação de metais pesados nocivos, como chumbo e pesticidas; ocorrência de lesões, decorrente, por exemplo, da ingestão de plástico e metais (TAGGART et al., 2016; SEIF et al., 2018); acúmulo de substâncias nocivas, como anti- inflamatórios e antimicrobianos; desenvolvimento de doenças nutricionais, por deficiência de vitaminas e outros nutrientes; e, não menos importante, são fonte de cepas multirresistentes de diversos microrganismos (CAMARDA et al., 2007; CAMACHO et al., 2016; MARTÍN- MALDONADO et al., 2020). O comportamento sinantrópico dos ardeídeos acarreta estreita relação entre seres humanos e aves selvagens, aumentando o risco de disseminação de patógenos zoonóticos e de microrganismos com resistência a antimicrobianos (TSIODRAS et al., 2008; LIAKOPOULOUS et al., 2016; TROXLER et al., 2017; WANG et al., 2017). Diversas investigações demonstram que aves selvagens podem adquirir bactérias patogênicas de resíduos e eliminá-las via fezes em outras localidades, com a ocorrência de surtos de amplo alcance e disseminação endêmica de cepas multirresistentes (SHARIF et al., 2020; YUAN et al., 2021). A associação direta ou indireta da vida selvagem a humanos e animais de produção pode aumentar as chances de transmissão de microrganismos dentro das populações de aves, como resultado da migração de regiões contaminadas (FIGURA 4) (ELMBERG et al., 2017). Além disso, aves que se agregam para alimentação ou reprodução podem disseminar esses microrganismos mais facilmente entre a população (GROND et al., 2018) resultando em significativa ameaça à avifauna selvagem e à conservação da biodiversidade (CARVALHO, 2006; HERNANDEZ-DIVERS et al., 2006; PENNYCOTT et al. 2006; NEWNAN et al., 2007). Embora seja pouco investigado, o processo de zoonose reversa ou zooantroponose tem evidências relatadas (ADESOKAN et al., 2019), destacando uma conexão direta existente entre humanos, animais e meio ambiente, dentro de uma perspectiva Global de “One Health” (LEBOV et al., 2017). 8 Figura 4 – Esquema representativo sobre a interação entre aves de vida livre, resíduos urbanos, animais domésticos, humanos e meio ambiente, demonstrando a capacidade das aves como vetores de microrganismos. Fonte: Adaptado de ANTILLES et al., 2020. Tanto aves migratórias quanto aves selvagens residentes são suscetíveis a diversas infecções bacterianas comuns a animais domésticos e humanos (HUBÁLEK, 2004; BENSKIN et al., 2009; STENKAT et al. 2014; DIAS et al., 2019). Essas infecções bacterianas podem ser responsáveis pelo óbito das aves ou, ainda, torná-las reservatórios subclínicos ao longo de suas vidas (HUBÁLEK, 2004; BENSKIN et al., 2009). Aves selvagens são consideradas, então, importantes vetores na disseminação de bactérias no meio ambiente (COLE et al., 2005) e podem representar risco à saúde humana (YORIO; GIACCARDI, 2002; MILLÁN et al., 2004; SILVA et al., 2010) e à saúde animal (PENNYCOTT et al., 2006; NEWMAN et al., 2007), além de causar grandes perdas econômicas em criações de animais (TESSARI et al., 2008). Aves migratórias podem ainda facilitar a disseminação desses microrganismos por longas distâncias (ELSOHABY et al., 2021) e até mesmo em áreas remotas, como já foi relatado na ocorrência de aves selvagens portadoras de bactérias multirresistentes no Ártico (SJÖLUND et al., 2008). Um estudo feito por SHEH et al. (2022) relata também maior taxa de resistência a antibióticos em aves migratórias. Já foram isoladas diversas bactérias patogênicas em aves selvagens, como Salmonella spp. (REED et al., 2003; PLAZA et al., 2018; MARTÍN-MALDONADO et al., 2020), Escherichia coli (BEZERRA et al., 2017; HORN et al., 2018) e Staphylococcus aureus (BRITTINGHAM et al., 1988; ELSOHABY et al., 2021). Há relatos de transmissão indireta 9 desses patógenos para seres humanos (TSIODRAS et al., 2008). Ainda que bactérias como E. coli e Staphylococcus spp. sejam mais conhecidas como comensais do trato gastrintestinal dos animais, amostras patogênicas podem ter grande importância para a saúde pública, no que diz respeito à ocorrência de doenças e de microrganismos resistentes a antimicrobianos (ELSOHABY et al., 2021). Estudos mostram ainda que o isolamento de Enterobacteriaceae em populações de aves de vida livre saudáveis é frequente (SAIDENBERG et al., 2012; VILELA et al., 2012; STENKAT et al., 2014; SERAFNI et al., 2015; VAZ et al., 2017; MACHADO et al., 2018) e bactérias Gram-negativas isoladas da cloaca de aves silvestres de vida livre não são um achado incomum (GROND et al., 2018). A suscetibilidade entre os grupos de aves em relação a infecções por bactérias intestinais é altamente variável (MATIAS et al., 2016), o ambiente é o principal fator correlacionado (HIRD et al., 2014) e a taxonomia do hospedeiro influencia no que diz respeito à microbiota intestinal (HIRD et al., 2015), bem como à linhagem genética de cada bactéria (AFEMA; SISCHO, 2016). Por fim, aves aquáticas, como é o caso dos ardeídeos, são mais propensas à infecção por Enterobacteriaceae em casos de contaminação ambiental, pois tendem a ter maior contato com fezes no solo e na água (SILVA et al., 2010; STENKAT et al., 2014; SILVA et al., 2018). 2.3 Salmonella spp. Dentre os patógenos entéricos Salmonella sp. é o principal agente de origem alimentar causador de doença zoonótica em todo o mundo (COBURN et al., 2007). Segundo a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2018) a salmonelose é uma das principais causas globais de diarreia, responsável por importantes índices de morbidade e mortalidade em humanos, tanto em países emergentes quanto em países desenvolvidos (MAJOWICZ et al., 2010). Possui distribuição ampla na natureza e seu principal reservatório é o trato gastrintestinal de humanos, animais domésticos e silvestres (JAY, 2005; CARRASCO et al., 2012). Aproximadamente 10% dos surtos em seres humanos são relacionados a aves (KABIR, 2010). O gênero Salmonella foi descrito pela primeira vez em 1886 por Salmon e Smith (MERCHANT et al., 1969) que acreditavam erroneamente que este era o agente da peste 10 suína (FREITAS NETO et al., 2020). Em 1888 o microrganismo foi cultivado pela primeira vez e neste mesmo ano foi relatado o primeiro caso em humano (BRYAN et al., 1979). Posteriormente, Kauffmann e White propuseram a classificação do gênero Salmonella com base na identificação de estruturas presentes na superfície da bactéria. A técnica foi modificada, acrescida de provas bioquímicas e prevalece desde então (ALVES, 2022). Os agentes pertencem à Família Enterobacteriaceae, são bactérias bacilares Gram negativas (WHO, 2018), anaeróbias facultativas e medem 2 a 3 µ por 0,4 a 0,6 µ (YOUSEF; CARLSTROM, 2003; PUI et al., 2011). São organismos oxidase negativos e catalase positivos (JAY, 2005; LERTWORAPREECHA et al., 2013). Não são fermentadoras de lactose, porém são capazes de produzir sulfeto de hidrogênio. Realizam quebra de D-glicose em hidrogênio e dióxido de carbono e reduzem nitratos em nitritos, características estas que auxiliam na identificação laboratorial destas bactérias (PUI et al., 2011; LEVISON et al., 2020). Na parede celular de Salmonella sp. existem lipídeos, monossacarídeos, lipopolissacarídeos, proteínas e lipoproteínas. Lipopolissacarídeos e lipídios da parede celular possuem endotoxina, substância responsável pelos efeitos biológicos da bactéria (YAVARI, 2012), cuja porção de polissacarídeos e monossacarídeos é denominada antígeno “O” somático (REEVES et al., 1989). Além disso, é uma bactéria capaz de se locomover, por ter flagelos peritríquios em sua conformação, conhecidos como antígeno “H” (LERTWORAPREECHA et al., 2013). Junto a esses antígenos existem em média 60 antígenos somáticos, muitos deles interespecíficos e que foram adquiridos por meio de transferência de gene entre bactérias, identificados por números (REEVES et al., 1989). As principais espécies são Salmonella enterica e Salmonella bongori, a primeira com maior relevância para a saúde pública (POPOFF; LE MINOR, 1997; ACHA; SZYFRES, 2001; DIONE et al., 2011). Outas espécies foram classificadas com base em características bioquímicas e predileção por hospedeiros específicos, como S. typhi e S. paratyphi, que são adaptadas a humanos, e S. pollorum e S. gallinarum, adaptadas a aves (RAHMAN; OTHMAN, 2017). Além das espécies de Salmonella nomeadas existem subespécies, as quais são representadas por algarismos romanos e nomes. Salmonella enterica compreende as subespécies I, II, IIIa, IIIb, IV e VI, e V, ou enterica, salamae, arizonae, diarizonae, houtenae 11 e indica, enquanto que Salmonella bongori compreende a subespécie V (BRENNER et al., 2000; OLUDAIRO et al., 2022). Em termos taxonômicos, a grafia da nomenclatura destes patógenos pode ser feita por extenso (“Gênero espécie” “subespécie” “Sorovar” “Biovar”) ou a resumida (“Gênero” “Sorovar” e/ou “Biovar”) (GRIMONT; WEILL, 2007). Os nomes dos sorotipos geralmente são os nomes geográficos de onde o sorovar foi isolado pela primeira vez, a primeira letra geralmente é maiúscula e a palavra não é itálica, como por exemplo S. enterica subsp enterica sorovar London ou Salmonella London (POPOFF; LE MINOR, 1997; POPOFF et al., 2000). As doenças causadas por Salmonella são classificadas em salmonelose tifoide e salmonelose não tifoide (NGNOGO et al., 2020; AKINYEMI et al., 2021). Salmonelose tifoide está associada às espécies S. typhi e S. paratyphi, restritas a humanos (AKINYEMI et al., 2021), enquanto que a salmonelose não tifoide é causada principalmente por infecções de grupos de sorovares de S. enterica, relacionada à ingestão de alimentos e produtos alimentícios contaminados (THUNG et al., 2018). Em diversos países do mundo a salmonelose é um dos maiores desafios em termos de saúde pública (PADUNGTOD; KANEENE, 2006; VINDIGNI et al., 2007; LERTWORAPREECHA et al., 2013). A infecção ocorre principalmente pela ingestão de água e alimentos contaminados e acomete predominantemente o trato gastrintestinal de humanos e animais (SANTOS et al., 2020). Embora a doença esteja muito associada a infecções alimentares, com ocorrência de surtos relacionados à ingestão de ovos e aves (LERTWORAPREECHA et al., 2013), carne bovina e suína, leite cru e até chocolate (ERDOĞRUL; ERBILIR, 2005; HEREDIA; GARCÍA, 2018), já foram relatados surtos associados a insetos e animais selvagens (HIDALGO-VILA, 2007; LECIS et al., 2011; PERCIPALLE et al., 2011). A ocorrência de salmonelose é comum em animais e as manifestações clínicas são variadas. Pode haver infecções gastrintestinais graves, sepses, abortos e doença subclínica, com reservatórios naturais (UZAL et al., 2016). A via de infecção é oral, o microrganismo atinge e invade a mucosa intestinal, adere à superfície apical das células M intestinais, que recobrem estruturas linfoides, como as placas de Peyer e alcançam o tecido linfoide subjacente. Podem atingir a corrente sanguínea causando bacteremia ou septicemia, além de serem capazes de invadir e destruir enterócitos e células caliciformes (UZAL et al., 2016; GUEDES et al., 2016). Salmonella é considerada um patógeno intracelular facultativo (UZAL 12 et al., 2016) e algumas cepas têm a capacidade de sobreviver e replicar dentro de macrófagos intestinais, o que favorece a invasão no organismo e o desenvolvimento de doença sistêmica (GUEDES et al., 2016). O microrganismo frequentemente é encontrado nas mucosas do íleo, ceco e cólon, bem como em linfonodos, fígado, baço e medula óssea (QUINN et al., 2011; UZAL et al., 2016). Alguns sorotipos são altamente adaptados aos hospedeiros e tendem a causar doença sistêmica grave, tanto em animais adultos quanto em jovens, enquanto que outros sorotipos possuem ampla gama de possíveis hospedeiros e tendem a afetar predominantemente animais jovens, causando principalmente enterocolite (UZAL et al., 2016). A patogenia da salmonelose depende do estado imunológico do animal, de condições de manejo e estresse, além de fatores de virulência da bactéria, como motilidade e capacidade de síntese de proteínas efetoras que causam morte de células hospedeiras (QUINN et al., 2011; UZAL et al., 2016). As manifestações clínicas da salmonelose, quando presentes, geralmente incluem febre, apatia, desidratação e diarreia amarelada a acinzentada com odor desagradável, podendo haver também sangue e muco (UZAL et al., 2016). Na macroscopia da maioria das espécies é comum haver linfonodos mesentéricos aumentados de tamanho e hemorrágicos, mucosa intestinal hiperêmica, hemorrágica ou amarelo-acinzentada e com ulcerações, principalmente em íleo, jejuno e cólon. Em alguns casos pode haver pneumonia e até mesmo peritonite (UZAL et al., 2016; GUEDES et al., 2016). Além disso, em bovinos há formação de fibrina e exsudato fibrinonecrótico na superfície das vilosidades do intestino delgado e em outros órgãos acometidos (RAKSHA et al., 2021). Na histopatologia é vista necrose de vilosidades intestinais associada a infiltrado inflamatório neutrofílico, folículos linfoides com centros rarefeitos e necrose, além de trombose (UZAL et al., 2016; GUEDES et al., 2016). Na salmonelose septicêmica também são visualizadas alterações características em fígado e baço, embora possam estar ausentes em casos de septicemia hiperaguda. Nestes casos o baço tende a estar aumentado de volume, com focos de necrose e o fígado pálido e com múltiplos nódulos branco-amarelados, que na histopatologia correspondem a múltiplas áreas de necrose (UZAL et al., 2016). Em frangos de corte naturalmente infectados por Salmonella enterica subespécie enterica sorovar Gallinarum há maior contagem do microrganismo no fígado, seguido por baço, pulmões, intestinos e ceco. Os animais manifestam febre, diarreia amarela-esverdeada, taquipneia e mucosas pálidas. As alterações macroscópicas são visualizadas em fígado, com aumento de volume, coloração vermelha-amarronzada com focos brancacentos, rins e baço 13 aumentados de volume, pulmões com edema e intestinos avermelhados, com múltiplas ulcerações de tamanhos variados. A avaliação histopatológica demonstra congestão hepática, necrose de hepatócitos; degeneração, necrose e congestão intestinais; nefrite e necrose tubular renal (SALEEM et al., 2022). Necrose hepática multifocal associada a infiltrado inflamatório, enterite linfoplasmocítica e congestão pulmonar foram relatadas em uma rolinha-roxa com salmonelose (BEZERRA et al., 2017). Estudos mostram que Salmonlella ser. Typhimurium é o sorotipo mais relatado em psitacídeos, além de ser altamente virulento (VIGO et al., 2019). Outros sorotipos de grande importância também têm sido relatados em aves silvestres, como Salmonella Saintpaul (RECHE et al., 2003; SOUSA et al., 2010). Um estudo experimental com inoculação de Salmonella Saintpaul em periquito-australiano (Mellopsitacus undulatus) não causou sinais clínicos, nem mortalidade nas aves, porém na necropsia foram observados hemorragia intestinal, enterite leve, fígado pálido, friável e congesto, pericardite, esplenomegalia e necrose multifocal no baço. Além disso, o maior inóculo levou a disseminação do microrganismo nas fezes das aves oito dias após a inoculação, o que demonstrou que essas aves são suscetíveis à invasão bacteriana nos órgãos internos e podem disseminar o patógeno no ambiente, mesmo sem manifestação de sinais clínicos (LOPES et al., 2022). Já foi relatado o isolamento de cinco sorovares de Salmonella enterica em Garças- vaqueiras (Bubulcus ibis) do arquipélago de Fernando de Noronha, Pernambuco, Brasil. Tratavam-se dos sorovares Salmonella enterica subespécie enterica sorovar Typhimurium; Salmonella sorovar Newport; Salmonella sorovar Duisburg; Salmonella sorovar Zega e Salmonella enterica sorovar O16:y:-, todos isolados a partir de suabe cloacal de animais de vida livre sem manifestações clínicas (SILVA et al., 2018), indicando que a espécie pode ser reservatório e vetor do microrganismo. Para realizar o diagnóstico de infecção por Salmonella spp. é requerida a investigação laboratorial através de cultivo e isolamento dos microrganismos, bem como uso de técnicas moleculares de PCR confirmatórias, sorotipagem e até mesmo sequenciamento genético. Para isso podem ser utilizadas amostras biológicas de fezes e sangue no caso de animais vivos, ou conteúdo intestinal e amostras de lesões teciduais de animais mortos (QUINN et al., 2011). A detecção de Salmonella spp. atualmente é realizada com base no padrão internacional disponibilizado em 2017 por meio do ISO 6579-1 (MOIJAMAN, 2017; ELSOHABY et al., 2021). No caso de aves, para a detecção de Salmonella spp. são 14 comumente realizados a cultura e o isolamento do microrganismo a partir de amostras de fezes coletadas por suabe cloacal ou amostras de lesões teciduais de animais mortos. As amostras coletadas passam por pré-enriquecimento em meio líquido não seletivo, enriquecido em dois meios líquidos seletivos, subcultura em meios sólidos e são feitos exames de colônias sugestivas de Salmonella spp. Maciel et al. (2019) recomendam selecionar aleatoriamente cinco unidades formadoras de colônias, levando em consideração que pode haver diversidade genética entre as cepas de uma mesma amostra. As colônias típicas selecionadas devem passar por teste de Gram e catalase e, dessa forma, colônias bacilares positivas para os respectivos testes podem ser submetidas a identificação bioquímica. Para a realização de testes bioquímicos podem ser utilizados kits comerciais, como o kit bioquímico API 20e, ou por meio da inoculação das unidades formadoras de colônias em combinações de meios específicos, como Ágar Citrato de Simmons (Citrato), Ágar Tríplice Açúcar Ferro (TSI) e Ágar Lisina Ferro (LIA). O Ágar Citrato Simmons é utilizado para a diferenciação de Enterobacteriaceae através da utilização do citrato, quando positivo fica azul; o Ágar TSI baseia-se na fermentação dos carboidratos e produção de sulfeto de hidrogênio, adquire cor púrpura-amarela quando há apenas fermentação de glicose, coloração amarela quando há fermentação de glicose, lactose e/ou sacarose, além da ocorrência de fissuras, rupturas ou bolhas quando há liberação de CO2 e precipitado preto quando se mostram H2S positivas; o Ágar LIA permite a avaliação quanto à fermentação de glicose, quando há descarboxilação da lisina o meio adquire coloração púrpura, principalmente em sua base, na prova negativa o meio fica amarelo e, quando há produção de H2S, a prova positiva se caracteriza pelo surgimento de coloração preta no meio. Dessa forma, espera-se que amostras de Salmonella sp. se apresentem azuis em Ágar Citrato, púrpura-amarelo com centro preto em Ágar TSI e púrpura com centro preto em Ágar LIA. A confirmação das amostras como pertencentes ao gênero Salmonella deve ser feita ainda por PCR, para isso são realizadas extrações de DNA genômico das amostras e teste PCR utilizando primers específicos para a identificação de determinados genes. A identificação dos sorotipos de Salmonella também é importante e pode ser feita por tipagem de fagos (RANKIN; PLATT, 1995), polimorfismo de DNA amplificado ao acaso (RAPD) (CASTIGLIONI; BOCUDO, 2003), eletroforese em campo pulsado (PFGE) (KOTTWITZ; OLIVEIRA, 2011) e sequenciamento de DNA (LIM et al., 2005). O surgimento de cepas de Salmonella com resistência antimicrobiana é um grave problema de saúde pública em todo o mundo (CHIU et al., 2002), embora Salmonella sp. seja 15 conhecida como bactéria que apresenta menor capacidade de adquirir resistência a agentes antimicrobianos, menos suscetível à pressão de seleção antimicrobiana do que outras bactérias (LECLERCQ et al., 2013). O primeiro relato de resistência de Salmonella a um único antibiótico, o cloranfenicol, ocorreu em 1960 (ENG et al., 2015) e, desde então, a ocorrência de cepas de Salmonella com resistência a um ou mais antimicrobianos tem aumentado em muitos países (YOKE-KQUEEN et al., 2008). Os principais agentes antimicrobianos utilizados para tratamentos tradicionais de salmonelose são principalmente ampicilina, cloranfenicol, sulfametoxazol-trimetoprima, fluoroquinolonas e cefalosporinas de amplo espectro. Cepas de Salmonella spp. resistentes a estes e outros antimicrobianos são denominadas multirresistentes (ENG et al., 2015). Martin-Maldonado et al. (2020) detectaram cepas de Salmonella spp. resistentes a ciprofloxacina (36,4%), ácido nalidíxico (36,4%) e colistina (27%) em um estudo feito com aves selvagens em meio urbano. Os três são antibióticos utilizados como último recurso para o tratamento de doenças infecciosas em humanos causadas por bactérias multirresistentes (EFSA, 2019; KERN, 2018). Resistência a eritromicina, neomicina, ciprofloxacina e estreptomicina também foram relatadas em cepas de Salmonella spp. isoladas de aves aquáticas de vida livre na Argentina (RODRÍGUEZ et al., 2018). 2.4 Escherichia coli Escherichia coli é uma bactéria bacilar da Família Enterobacteriaceae, que coloniza o trato gastrointestinal de mamíferos e aves. Tem dimensões de 1,1 a 1,5 x 6 µm, é Gram negativa, catalase positiva, anaeróbia facultativa e móvel, com flagelos peritríquios (NATARO et al., 2011). Tem capacidade de fermentar glicose e lactose, produzir ácido e gás (HOLT, 1994; LEVISON et al., 2020). O desenvolvimento em substratos com pH de 4,4 a 9,0 favorece a sobrevivência em ambientes ácidos, como o trato intestinal e urinário (SAINZ et al., 2005; LEVISON et al., 2020). A temperatura ótima de crescimento é 37 ºC, embora tenha capacidade de desenvolver em temperaturas de 7 a 48 ºC (VARNAM; EVANS, 1991). É uma bactéria comensal do trato gastrointestinal de animais e humanos e acredita-se que E. coli não patogênica possa desempenhar funções benéficas ao hospedeiro, como síntese de vitaminas e combate a microrganismos patogênicos, impedindo o estabelecimento de linhagens até mesmo da própria espécie (QADRI et al., 2005; RYU et al., 2012; LÓPEZ- BANDA et al., 2013; TANGI et al., 2015). No entanto, algumas linhagens são capazes de 16 causar doenças graves (RASKO et al., 2008), como doenças gastrintestinais e sistêmicas, com quadros de diarreia e colissepticemia em diversas espécies (BEZERRA et al., 2017), além de haver isolados de E. coli com efeito patogênico extraintestinal e significativa morbidade e mortalidade (RUSSO; JHNSON, 2006). É um patógeno importante para a saúde pública e frequentemente é utilizado como agente indicador de resistência antimicrobiana (PLATTS- MILLS et al., 2015). Escherichia coli é um dos agentes patogênicos dos quais as aves podem ser reservatórios e disseminadoras, inclusive aves silvestres (RAPPOLE; HUBALEK, 2000; HUBÁLEK, 2004). É considerado um coliforme fecal, de forma que E. coli em alimentos é um indicador de contaminação direta ou indireta de origem fecal e pode indicar a possível presença de E. coli patogênicas (QADRI et al., 2005; RYU et al., 2012; LÓPEZ-BANDA et al., 2013;; TANGI et al., 2015), além de provável falta de higiene e falhas no processamento de alimentos (YUCEL; ULUSOY, 2006). Geralmente a colonização intestinal por E. coli ocorre após o nascimento e o microrganismo se mantém como comensal por toda a vida do hospedeiro (CLERMONT et al., 2000). No entanto, embora muitas linhagens de E. coli apresentem baixa virulência, podem causar relevantes infecções oportunistas extra-intestinais, como em sistema geniturinário e glândulas mamárias em mamíferos (QUINN et al., 2011). Algumas cepas podem adquirir fatores de virulência que permitem sua adaptação e capacidade de causar diversos tipos de doença (KAPER et al., 2004; RODRIGUEZ-SIEK et al., 2005). O mecanismo associado à transição de um microrganismo comensal para patogênico ainda não é totalmente elucidado, embora já se saiba que vários genes relacionados à patogenicidade sejam encontrados em elementos genéticos móveis capazes de transitar entre bactérias, proporcionando a combinação de fatores que permitem a sobrevivência, a permanência da bactéria no hospedeiro e o desenvolvimento de doenças (NYANGA et al., 2017). A aquisição e a perda destes elementos genéticos móveis, como plasmídios e transposons, são fundamentais para a formação do genoma das bactérias patogênicas e por meio da transferência horizontal de genes, novas características de disseminação para os microrganismos receptores, sendo capazes de se adaptar a diferentes hospedeiros e de colonizar, multiplicar e causar danos diversos (KAPER et al., 2004; SHAMES et al., 2009). Bactérias patogênicas possuem as chamadas ilhas de patogenicidade, que consistem em grandes aglomerados de genes de virulência localizados em plasmídios ou integrados ao cromossomo bacteriano (KAPER et al., 2004). 17 Os fatores de virulência são estruturas ou produtos que auxiliam a bactéria a se instalar e causar doenças no hospedeiro. São capazes de modificar a superfície celular, liberar toxinas, invasinas e translocar proteínas (KYAW et al., 2003; BRUM; LEITNER, 2013). São codificados geneticamente e podem ser transmitidos entre diferentes linhagens, de forma que combinações eficazes destes fatores de virulência são os responsáveis pelo desenvolvimento de doenças em animais saudáveis (KAPER et al., 2004). A translocação de elementos genéticos ao longo da escala evolutiva permitiu a formação de variados grupos genéticos de E. coli descendentes de grupos filogenéticos distintos. Atualmente, de acordo com o que foi proposto por Clermont e colaboradores (2012) estes grupos filogenéticos são classificados como filogrupos A, B1, B2, C, D, E e F, de acordo com a presença ou não dos genes arpA, chuA, yjaA e TspE4.C2. Além disso, ainda há uma pequena fração de cepas de E. coli que não podem ser atribuídas a um filogrupo. Os filogrupos B1 e A são os principais filogrupos de E. coli isolados de animais domésticos, respectivamente, sendo normalmente relacionados a bactérias comensais. O filogrupo A tem sido isolado de mamíferos onívoros, enquanto que o filogrupo B1 é prevalente em herbívoros (BALDY-CHUDZIK et al., 2008; TENAILLON et al., 2010; COURA et al., 2015). Cepas de E. coli patogênicas extraintestinais fazem parte principalmente dos filogrupos B2 e D, e cepas relacionadas a infecções intestinais ocorrem nos filogrupos B1 e E, o que permite uma correlação entre filogenia e virulência (ESCOBAR-PÁRAMO et al., 2004; CLERMONT et al., 2011). Em aves, os principais filogrupos já isolados foram A e F, enquanto que o filogrupo C é pouco elucidado (COURA et al., 2015). Os filogrupos genéticos de E. coli não são dispersos aleatoriamente, podem ser correlacionados ao nicho ecológico do hospedeiro, tipo de doença causada pelo isolado e seus fatores de virulência (CLERMONT et al., 2013). E. coli pode, ainda, ser classificada em sorotipos determinados pelos antígenos somático (O), capsular (k), flagelar (H) e pili (BARNES et al., 2004) e em patotipos, como E. coli enteropatogênica (ECEP), E. coli enteroagregativa (ECEAgg), E. coli enteroinvasiva (EIEC), E. coli entero-hemorrágica (ECEH), E. enterotoxigênica (ECET), E. coli difusamente aderente (CEDA), E. coli aderente invasiva (ECAI), E. coli patogênica aviária (ECPA) e E. coli patogênica extraintestinal (ECPI), conforme há combinações de vários fatores de virulência em diferentes espécies de animais (TURNER et al., 2006; FERREIRA; KNÖBL, 2015). De acordo com critérios genéticos e clínicos, as linhagens de E. coli são classificadas em estirpes comensais, patogênicas intestinais ou diarreicogênicas (ECD) e patogênicas extraintestinais (ECPEx) (RUSSO; JOHNSON, 2000). 18 Em humanos, ECEx é causa mais comum de infecção do trato urinário, além de ser frequentemente associada a ocorrência de sepse, meningite neonatal, infecções intra- abdominais, pneumonias e osteomielite (RILEY, 2014). Em animais também são responsáveis por infecções do sistema geniturinário, bem como por desenvolvimento de piometra, pneumonia e doenças sistêmicas em aves (JOHNSON et al., 2001; MOULIN- SCHOULER et al., 2007; SURA et al., 2007). Em animais infectados com E. coli é comum a ocorrência de enterite fibrinosa ou fibrinonecrótica, com congestão intestinal e material necrótico aderido à superfície mucosa, principalmente em reto e cólon, bem como em ceco e íleo, e linfonodos mesentéricos aumentados de volume e congestos. No exame histopatológico pode ser observada atrofia de vilosidades, mucosa intestinal com epitélio delgado, áreas de microerosões e colônias cocobacilares em contato com enterócitos (GUEDES et al., 2016). A colibacilose é um dos maiores problemas na avicultura industrial, caracterizada por infecções sistêmicas ou locais por E. coli patogênicas, associadas ou não a infecções secundárias, responsável por grandes perdas econômicas (DHO-MOULIN; FAIRBROTHER, 1999; SAINDNBERG; KNÖBEL, 2005; FERREIRA; KNOBL, 2015). Aves acometidas por E. coli podem apresentar alterações anatomopatológicas em diversos órgãos, sendo frequentes pneumonia, pleuropneumonia, pneumonia fibrinosa, celomite, aerossaculite, peri-hepatite, pericardite, onfalite, ooforite, salpingite, meningoencefalite, sinusite, artrite caseosa e celutite, esta caracterizada por acúmulo de material caseoso em tecido subcutâneo. Ao exame histopatológico destes órgãos pode ser visualizado infiltrado inflamatório linfocítico e heterofílico associado a colônias bacterianas bacilares (FERREIRA; KNOBL, 2015). A detecção de E. coli é feita através de cultivo e isolamento microbiológico de suabes de excretas ou órgãos acometidos. Colônias suspeitas devem passar por testes preliminares com a avaliação morfologia microscópica por meio de esfregaços corados pela técnica de Gram e teste de catalase (QUINN, 1994). Para a confirmação genética dos isolados deve ser feita a extração de DNA de cada colônia, seguida por PCR. As amostras confirmadas como pertencentes a E. coli podem ainda ser submetidas a PCR para a classificação quanto aos filogrupos, conforme proposto por Clermont e colaboradores (2012). A avaliação da suscetibilidade das cepas isoladas a antimicrobianos também é recomendada. Já foi relatado em aves saudáveis o isolamento de diversas cepas de E. coli identificadas como potencialmente patogênicas, muitas delas com resistência a antimicrobianos, 19 tais como fluoroquinolonas, β-lactâmicos e cotrimoxazol (MORISHITA et al., 1999; MATLES et al., 2005; GIUFRÈ et al., 2012; SOUZA et al., 2016). E. coli comensal de animais também tem sido observada com resistência a agentes antimicrobianos comumente utilizados, como sulfametoxazol, ampicilina e tetraciclina (KANG et al., 2005) Microrganismos resistentes a antimicrobianos são um dos principais assuntos abordados em questões de Saúde Única e têm gerado grande preocupação mundial em saúde coletiva (QUEENAN et al., 2016). A caracterização do padrão de resistência a antimicrobianos, bem como o padrão de virulência dos isolados de E.coli são dados valiosos que permitem avaliar o potencial patogênico do agente e de clones emergentes (IKUNO et al., 2008). Neste contexto, aves silvestres são sugeridas como sentinelas para a propagação e a transmissão de cepas multirresistentes de E. coli (MOHSIN et al., 2017). 2.5 Staphylococcus spp. O gênero Staphylococcus pertence à Família Staphylococcaceae e inclui bactérias comensais e patogênicas. São bactérias cocoides de 0,5 a 1,5 µm, Gram positivas, imóveis. Tendem a se apresentar em forma de cachos de uva, embora possam também ser vistas isoladas, em pares ou formando cadeias curtas (CUNHA NETO et al., 2002; CASSETTARI et al., 2005). Possuem metabolismo respiratório e fermentativo, são catalase positivas, anaeróbicas facultativas, capazes de atuar sobre carboidratos com produção de ácidos. Sua temperatura ótima para crescimento é de 30 a 37 ºC, embora possam crescer em temperaturas que variam de 7 a 48 ºC (CUNHA NETO et al., 2002). Algumas espécies podem ainda produzir enterotoxinas quando submetidas a temperaturas de 10 a 46 ºC (JAY, 2005). Além disso, são microrganismos tolerantes a nitratos e a NaCl quando nas concentrações de 10 a 20% (FRANCO; LANDGRAF, 2008). O gênero compreende numerosas espécies e subespécies, com ampla distribuição na natureza. São capazes de estabelecer relação comensal com a pele e cavidade oronasal de aves e mamíferos (JAY, 2005). Porém, de forma oportunista, o microrganismo pode causar desde pequenas infecções de pele a doenças fatais (WALSH; FANNING, 2008). São mais de 40 espécies pertencentes ao gênero Staphylococcus, distribuídas em duas classes: Staphylococcus coagulase positiva (SCP) e Staphylococcus coagulase negativa (SCN), a grande maioria pertencente ao segundo grupo (EUZÉBY, 1997; SOUSA et al., 2014). A produção de coagulase é correlacionada a patogenicidade, de forma que S. aureus é a principal espécie capaz de produzir a enzima coagulase. A espécie é motivo de preocupação 20 em todo o mundo por ser responsável por graves infecções nosocomiais, sendo a maioria das suas estirpes produtora de enterotoxinas (GRUNDMANN et al., 2006). No entanto, embora sejam pouco virulentos, alguns SCN também podem ser associados a produção de toxinas e, ocasionalmente, causam doenças em humanos e animais (LAMAITA et al., 2005), como é o caso de S. epidermidis e S. saprophyticus, que atuam como patógenos especialmente em hospedeiros imunossuprimidos (STEPÁN et al., 2004). Diversos fatores de virulência são produzidos por Staphylococcus, os quais interferem no sistema de defesa do hospedeiro, ocasionam lesão tecidual, fornecem nutrientes que podem ser utilizados para o crescimento bacteriano e liberam substâncias capazes de causar quadros de intoxicação (DINGES et al., 2000). Estes fatores de virulência englobam citotoxinas e enzimas, reguladas e recombinadas por elementos genéticos, como plasmídios, transposons e profagos, presentes nas diferentes cepas de Staphylococcus (NOVICK et al., 2001). Entre os principais exemplos estão hemolisinas, nucleases, termonuclease, proteases, hialuronidades, colagenases, catalase, fibrinolisina, coagulase e β-lactase, muitos deles envolvidos na patogênese de S. aureus (NOVICK et al., 2001; LAMAITA et al., 2005; KÉROUANTON et al., 2007; KUMAR et al, 2009; PELISSER et al., 2009). A transferência horizontal de genes resulta em uma diversidade de estirpes de Staphylococcus e difusão de genes de virulência (NOVICK et al., 2001). Além disso, a combinação de alguns fatores de virulência pode gerar acúmulo de resistência a grande variedade de antimicrobianos, bem como a ocorrência de surtos de infecções e intoxicações estafilocócicas (KUMAR et al., 2009). Outra característica que faz com que Staphylococcus spp. representem problema para saúde pública é a capacidade desse microrganismo formar biofilmes (DONLAN, 2001). Os biofilmes são comunidades bacterianas que aderem irreversivelmente a um substrato, apresentam comportamento variado quanto a taxas de crescimento, transição de genes e resistência antimicrobiana, sendo capazes de resistir a concentrações até mil vezes superiores do que populações isoladas (CERCA et al., 2005). Staphylococcus spp. tendem a manter uma relação simbiótica com o hospedeiro até que haja o rompimento da barreira cutânea por trauma, corpos estranhos ou imunossupressão, e, desta forma, o microrganismo pode afetar outros tecidos e apresentar comportamento patogênico (KONEMAN, 1997; QUINN et al., 2005). Podem causar doenças tanto por indução de inflamações piogênicas como por produção de toxinas (LEVISON et al., 2020). As infecções por Staphylococcus frequentemente causam lesões agudas e supurativas (QUINN et al., 2005) e incluem infecções em feridas cirúrgicas, furunculose, celulite, 21 impetigo e até infecções mais graves por bacteremias, como pneumonias, osteomielite, endocardite aguda, miocardite, meningite e abscessos em músculos ou órgãos intra- abdominais (BERGDOLL, 1991; BANNERMAN et al., 2003; QUINN et al., 2005). Staphylococcus spp. têm sido descritos como causa importante e frequente de infecções hospitalares em humanos, além de serem citados como agentes mais comuns de bacteremias nosocomiais (LEVISON et al., 2020). Em animais, Staphylococcus aureus é relacionado a uma ampla variedade de infecções, é considerado o principal agente associado a mastite bovina (ROLLON et al., 2015; BOBBO et al., 2017) além de ser relacionado a infecções hospitalares com altos índices de morbidade e mortalidade (AGVALD-ÖHMAN et al., 2003). Para diagnóstico é indicada a realização de cultura e isolamento microbiológicos através de suabe ou fragmento de órgãos com lesão. Recomenda-se que sejam isoladas cinco unidades formadoras de colônias de forma aleatória (MACIEL et al., 2019), compatíveis com Staphylococcus, e identificadas fenotipicamente através da avaliação morfológica microscópica por técnica de Gram e feitos testes de oxidase, catalase e coagulase (QUINN et al., 2005). A identificação das espécies de Staphylococcus pode ser feita por técnica de espectrometria de Massa (MALDI-TOF) (ZHU et al., 2015). Além disso, colônias coagulase positivas podem ser submetidas a PCR para confirmação genotípica de estirpes de S. aureus. Para isso as amostras precisam passar primeiro por extração de DNA. Staphylococcus spp. são responsáveis por vários casos de infecções multirresistentes associados a animais de produção, animais de companhia e produtos alimentares (KERN; PERRETEN, 2013; SOUSA et al., 2014). Este microrganismo tem resistência antimicrobiana facilmente adquirida devido à transferência de genes de resistência relacionados principalmente a alta transmissibilidade de plasmídios e uso abusivo de antimicrobianos (DA CUNHA; USTULIN, 2011). Em aves selvagens já foi relatada a ocorrência de cepas de Staphylococcus spp. com resistência a diferentes antimicrobianos, como β-lactâmicos, aminoglicosídeos e macrolíticos (HERMANS et al., 2000; SOUZA et al., 2014). No entanto, ainda são escassas as informações sobre a prevalência das infecções em animais selvagens (PORRERO et al., 2013), o que torna necessário conhecer mais sobre a ocorrência de estafilococos multirresistentes nesses animais (SOUSA et al., 2014). 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 22 Populações de aves selvagens são frequentemente atraídas para áreas urbanas e podem ser colonizadas por microrganismos como Salmonella spp., Escherichia coli e Staphylococcus sp., podendo atuar como reservatórios e disseminadores destes agentes. Esses microrganismos podem ainda ser carreados por aves migratórias para áreas distantes de sua origem antropogênica. Atrelado a isso, a administração desregrada de antimicrobianos em animais e humanos gera pressão seletiva e aumenta o risco potencial de seleção de bactérias resistentes a antimicrobianos e, consequentemente, a contaminação do meio ambiente por estas cepas. Neste contexto, o contato próximo de ardeídeos com humanos em áreas urbanas e periurbanas, bem como com animais de produção, faz com que estas aves representem potenciais reservatórios de patógenos. Dessa forma, o presente estudo buscou detectar Salmonella spp., Escherichia coli e Staphylococcus spp. em ardeídeos habitantes de um ninhal localizado no Campus da Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Lavras, Minas Gerais, Região Sudeste do Brasil. REFERÊNCIAS ADESOKAN, H. K.; AKINSEYE, V. O.; STREICHER, E. M., VAN HELDEN, P.; WARREN, R. M.; CADMUS, S. I. 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