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Procedimentos para quantificação de elementos-traço por espectrofotometria de absorção atômica em matrizes de interesse ambiental

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O termo elementos-traço (ET) tem sido utilizado para designar elementos químicos que ocorrem no ambiente em concentrações na faixa de mg kg-1 ou μg kg-1. Como exemplo, em solos, seriam aqueles elementos em concentrações abaixo de 100 mg kg-1 (Guilherme et al., 2005). O termo ET engloba elementos considerados metais, metalóides e não metais (Hooda, 2010). Pierzynski et al. (1994) e Sparks (1995) também preferem usar o termo ET para definir metais catiônicos e oxiânions quando presentes em baixas concentrações no ambiente. Na caracterização de diferentes matrizes ambientais (e.g., solo, sedimentos, resíduos), outros termos também têm sido empregados, como metais traço, metais pesados e metais tóxicos, com significado mais ou menos equivalente. As várias formas de poluição e contaminação7 do ambiente têm sido motivo de muitos estudos e pesquisas no sentido de minimizar os danos à natureza e à saúde humana. Entre as fontes de poluição ambiental por ET, podem-se destacar as fontes naturais e antropogênicas. Como exemplos de fontes naturais, existem Contaminação refere-se à concentração de uma substância acima de um valor de referência de qualidade (o valor background). Já o termo poluição é empregado para fazer referência a uma área que esteja contaminada a tal ponto em que são observados efeitos negativos aos organismos vivos. as emissões vulcânicas, as deposições atmosféricas e o intemperismo de rochas e minerais. Para as fontes antropogênicas, podem ser citados os aterros sanitários, a aplicação de diversos insumos agrícolas, como os fertilizantes, corretivos e produtos utilizados no controle de pragas e doenças, as atividades industriais e de mineração, as quais promovem a concentração de alguns elementos em função dos processos de extração, além de produzir grandes quantidades de rejeitos. Esses materiais geralmente possuem elevados teores de Ni, Cr, Cu, Pb, Hg, Cd e Zn, que afetam severamente a vegetação, a qualidade da água e as atividades biológicas do solo, como respiração microbiana e decomposição da matéria orgânica, no próprio local e em áreas adjacentes (BAKER et al., 1994; VANGRONSVELD et al., 1997). As principais formas de contaminação de solos por ETs são preocupantes devido à dificuldade na descontaminação desse sistema devido a sua complexidade e heterogeneidade (GUILHERME et al., 2005). Portanto, deve-se atentar para o uso de diversos produtos agrícolas (MCBRIDE; SPIERS, 2001), os quais podem aportar ET potencialmente poluentes ao solo. Existem alguns ET que são incluídos intencionalmente em fertilizantes e em formulações de rações animais pelo fato de serem nutrientes minerais como Zn, Fe, Mn, Ni, Cu, entre outros, o que pode resultar em elevadas concentrações desses elementos em estercos utilizados como fertilizantes orgânicos (MARCHI et al., 2009). Vale ressaltar que a mobilidade e disponibilidade dos ETs não estão relacionadas apenas à sua concentração ou forma química, mas também às condições do meio. A variação de algumas características físicas e químicas, que muitas vezes ocorrem devido a ações antropogênicas, como pH, salinidade, potencial redox e teores de quelatos orgânicos na água, por exemplo, podem ocasionar a remobilização do ET para a fase aquosa (SANTOS et al., 2008), que normalmente é a mais preocupante do ponto de vista ambiental. De forma geral, os solos possuem características únicas quando comparados a outros componentes da biosfera, como o ar e a água, pois, além de atuarem como um dreno para contaminantes, funcionam também como um tampão natural que controla o transporte de elementos químicos e outras substâncias para a atmosfera, hidrosfera e biota (KABATA-PENDIAS e PENDIAS, 2001). Entretanto, análises e estudos de ET devem ser realizados também em outros compartimentos ambientais, pois alguns desses elementos, tais como Cd, Pb, Cr, As, são prejudiciais a várias formas de vida mesmo em baixíssimas concentrações. Neste boletim, sumarizam-se os procedimentos para análises de ET, especificamente em amostras de solo, plantas e água, incluindo detalhes da determinação de limites de detecção e quantificação em espectrofotômetro de absorção atômica. Ressalta-se que o resultado analítico de um determinado ET apenas pode ser confiável se os limites de detecção forem reportados, o que algumas vezes não acontece em trabalhos científicos encontrados mesmo na literatura especializada. Este trabalho trouxe um “passo a passo” de algumas formas de determinação dos limites de detecção e quantificação para consulta pelos interessados.

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PENHA, João Gualberto et al. Procedimentos para quantificação de elementos-traço por espectrofotometria de absorção atômica em matrizes de interesse ambiental. Lavras: Editora UFLA, 2017, 21p. (Boletim Técnico, n. 102).

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