dissertação

A prevalência da dengue em um município do Sul de Minas Gerais sob a lente do racismo ambiental: perspectivas e desafios

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Arquivo retido a pedido da autoria, até março de 2027.

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ODS 16: Paz, justiça e instituições eficazes
ODS 17: Parcerias e meios de implementação

Dados abertos

Resumo

A presente pesquisa tem por objetivo compreender a prevalência da dengue em um município do sul de Minas Gerais, considerando fatores territoriais e sociais pela lente do racismo ambiental. Parte-se do contexto do Antropoceno, época marcada pelo impacto negativo das atividades humanas no planeta, que intensifica e normaliza problemas estruturais e históricos, como as desigualdades estruturais. No Brasil, a dengue se tornou um problema recorrente de saúde pública, agravado na atualidade pelas mudanças climáticas e pela distribuição desigual dos riscos, influenciada pelo racismo estrutural e ambiental. A metodologia adotada é qualitativa, com abordagem interpretativista e epistemologia construtivista. Foram utilizadas como estratégias de coleta de dados a pesquisa documental, entrevistas semiestruturadas com moradores do bairro mais afetado e observação assistemática do território. A análise dos dados foi realizada por meio de análise de conteúdo temática, permitindo a identificação de categorias e temas recorrentes nas narrativas dos participantes. A discussão destaca que a prevalência da dengue está intrinsecamente ligada às desigualdades territoriais e ao racismo ambiental, que se manifestam na oferta desigual de serviços públicos e na exposição diferenciada ao risco. A pesquisa propõe ações integradas de prevenção, comunicação e participação social, enfatizando a necessidade de políticas públicas sensíveis às especificidades locais. Os resultados revelam que o bairro com maior percentual de casos de dengue em 2024 é caracterizado por uma localização periférica, sendo classificado como Zona Especial de Interesse Social (ZEIS). As entrevistas evidenciam que os impactos da dengue vão além dos sintomas físicos, afetando a rotina, o trabalho, a renda e o bem-estar psicológico dos moradores, especialmente das mulheres. A percepção dos participantes aponta para a existência de fatores de risco como terrenos baldios, acúmulo de lixo e ausência de lixeiras adequadas, além de uma tendência à naturalização da doença e à responsabilização individual, em detrimento de ações coletivas e do poder público. Conclui-se que a compreensão da dengue sob a lente do racismo ambiental possui relevância teórica e prática para a desnaturalização dos determinantes sociais da doença e ajuda a evidenciar a urgência de intervenções que considerem os contextos sociais dos territórios. Contudo, a pesquisa reforça a importância de dados desagregados, a participação comunitária e a integração entre diferentes setores da gestão municipal para o enfrentamento efetivo da dengue e de outras doenças.

Abstract

This research examines the prevalence of dengue fever in a municipality in southern Minas Gerais, analyzing territorial and social factors through the lens of environmental racism. The study is situated within the context of the Anthropocene, an era defined by the significant impact of human activities on the planet which intensifies and normalizes historical structural inequalities. In Brazil, dengue has emerged as a recurring public health crisis, currently exacerbated by climate change and the unequal distribution of risks driven by structural and environmental racism. A qualitative methodology was adopted, employing an interpretive approach and constructivist epistemology. Data collection strategies included documentary research, semi-structured interviews with residents of the most affected neighborhood, and nonsystematic field observations. Data was analyzed using thematic content analysis, identifying recurring categories and themes within the participants' narratives. The discussion highlights that dengue prevalence is intrinsically linked to territorial inequalities and environmental racism, manifesting through the disparate provision of public services and differential exposure to risk. This research proposes integrated actions for prevention, communication, and social participation, emphasizing the need for public policies sensitive to local specificities. Results reveal that the neighborhood with the highest percentage of dengue cases in 2024 is a peripheral area classified as a Special Zone of Social Interest (ZEIS). Interviews demonstrate that the impacts of dengue extend beyond physical symptoms, affecting the routines, labor, income, and psychological well-being of residents, particularly women. Participants' perceptions point to risk factors such as vacant lots, waste accumulation, and a lack of adequate disposal infrastructure, alongside a tendency to normalize the disease and shift responsibility onto others rather than collective or governmental action. It is concluded that analyzing dengue through environmental racism provides theoretical and practical relevance for deconstructing the social determinants of the disease, highlighting the urgency of interventions tailored to specific territorial contexts. Finally, the study reinforces the importance of disaggregated data, community engagement, and intersectoral municipal management to effectively tackle dengue and other pathologies.

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MIRANDA, Aline da Cunha. A prevalência da dengue em um município do Sul de Minas Gerais sob a lente do racismo ambiental: perspectivas e desafios. 2026. 138 p. Dissertação (Mestrado em Administração) - Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2026.

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