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Movimento agroecológico no Brasil: a construção da resistência a luz da abordagem neogramsciana

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Resumo

Reconhecendo a necessidade de pesquisas sobre movimentos sociais no campo dos Estudos Organizacionais e partindo de uma abordagem de discurso neogramsciana em resistência, indagamos: de que forma o movimento agroecológico no município de Araponga (MG) promove resistência à hegemonia do agronegócio a partir da reconstrução de diferentes aspectos da realidade social na região? O desenho metodológico inclui pesquisa bibliográfica e também pesquisa de campo, esta última realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com atores envolvidos na experiência agroecológica desenvolvida no município de Araponga. As entrevistas foram analisadas buscando estabelecer relações entre agroecologia e conhecimento agroecológico, relações sociais, autonomia em relação a mercados e sistema de valores. Os resultados apontam que o movimento agroecológico resiste ao agronegócio por meio da articulação de uma identidade contra-hegemônica desenvolvida a partir de: associação e engajamento com outros movimentos sociais e agentes não governamentais; construção de conhecimentos pelos agricultores familiares que se legitimam como interlocutores nas relações com órgãos públicos e mercados, refletindo em mudanças nas relações de poder.

Abstract

Recognizing the need for research on social movements and on neo-Gramscian discourse approach in resistance in Organizational Studies, we ask: in what way the agroecological movement in the city of Araponga (MG) promotes resistance to the hegemony of agribusiness from the reconstruction of different aspects of social reality in the region? The methodological design includes bibliographical research and field research. The latter was conducted through semistructured interviews with actors involved in the agroecological experience developed in the municipality of Araponga. The interviews were analyzed in order to establish connections between agroecology and agroecological knowledge, social relations, autonomy from markets and value system. The results show that the agroecological movement resists agribusiness through the articulation of a counter-hegemonic identity developed from: association and engagement with other social movements and non-governmental actors; knowledge construction by small farmers legitimized as interlocutors with public institutions and markets, reflecting on changes in power relations.

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FONTOURA, Y.; NAVES, F. Movimento agroecológico no Brasil: a construção da resistência a luz da abordagem neogramsciana. Organizações & Sociedade, Salvador, v. 23, n. 77, p. 329-347, 2016.

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