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Avaliação do comportamento sensorial de edulcorantes de estévia com diferentes composições químicas aplicados em mousse de chocolate vegano

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Programa de Pós-Graduação em Ciência dos Alimentos

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Sociais
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Saúde
Tecnologia e produção

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ODS 3: Saúde e bem-estar
ODS 12: Consumo e produção responsáveis

Dados abertos

Resumo

A evidência de que o consumo excessivo de açúcares se associa à obesidade e diabetes tem impulsionado mudanças nos hábitos alimentares. Paralelamente, a preferência por ingredientes de origem natural e as incertezas quanto à segurança de edulcorantes artificiais ampliaram o interesse por alternativas naturais. Entre estas, destacam-se os glicosídeos de esteviol (estévia) obtidos de Stevia rebaudiana, cuja aceitação deve ser avaliada em matrizes reais. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar a substituição de sacarose por cinco amostras comerciais de estévia (A, B, C, D e E) em mousse de chocolate vegana, integrando métodos sensoriais e analíticos para orientar a seleção tecnológica de edulcorantes. Inicialmente, para os estudos comparativos, 22 provadores selecionados e treinados (triagem sequencial de Wald) realizaram Estimação de Magnitude para a referência de sacarose 10%. As relações log-concentração vs. log-intensidade obedeceram à Lei de Stevens para sacarose e estévia (R²≥0,9605). As concentrações equivalentes ficaram <0,15% m/m e as potências variaram de 67,71× a 332,28×. A caracterização por HPLC evidenciou heterogeneidade composicional (Rebaudiosídeo M, D, C e rubusosídeo), e a PCA (PC1=50%; PC2=39%) revelou associação positiva entre potência e RM (Estévia D: RM elevado) e negativa com R (Estévia B: maior R e menor potência). Já os resultados do perfil temporal, TDS, demonstraram que, embora a sacarose mantenha o perfil TDS esperado (dulçor dominante e prolongado), as amostras de estévia apresentam curvas mais curtas, dominâncias instáveis e trocas rápidas entre atributos, reflexo da complexidade da matriz e das interações químico-sensoriais entre compostos amargos e glicosídeos de esteviol. A influência da matriz reforça que o comportamento sensorial de edulcorantes naturais deve ser interpretado no contexto da aplicação final, já que textura, teor de gordura e compostos fenólicos podem alterar a cinética de percepção, potencializando a percepção de amargor dos glicosídeos menos glicosilados (RC e R), como visto nas amostras com estévia B e E, e interferindo a dominância sensorial dos compostos característicos pelo perfil de doçura dominante e sem residual indesejável (RM e RD) mesmo em amostras com alto poder adoçante. Em conclusão, embora os glicosídeos de esteviol sejam adoçantes de alta intensidade, sua potência de doçura e perfis sensoriais temporais podem variar de acordo com sua composição química e interação com os compostos da matriz, reforçando a importância do controle da composição química do blend de glicosídeos para controlar o residual e o equilíbrio sensorial. Essas descobertas fornecem informações valiosas para a indústria alimentícia, auxiliando na substituição da sacarose em diferentes produtos.

Abstract

Evidence linking excessive sugar consumption to obesity and diabetes has driven changes in dietary habits. At the same time, consumer preference for natural ingredients and uncertainties regarding the safety of artificial sweeteners have increased interest in natural alternatives. Among these, steviol glycosides (stevia) obtained from Stevia rebaudiana stand out, although their acceptance must be evaluated in real matrices. Therefore, the objective of this study was to evaluate the replacement of sucrose with five commercial stevia samples (A, B, C, D, and E) in vegan chocolate mousse, integrating sensory and analytical methods to guide the technological selection of sweeteners. Initially, for comparative studies, 22 panelists were selected and trained according to ISO 8586/8589 (sequential Wald screening) and performed Magnitude Estimation using 10% sucrose as reference. The log-concentration vs. log-intensity relationships followed Stevens’ Power Law for both sucrose and stevia samples (R² ≥ 0.9605). Equivalent concentrations were <0.15% w/w and sweetness potency ranged from 67.71× to 332.28×. HPLC characterization revealed compositional heterogeneity (Rebaudiosides M, D, C, and rubusoside), and PCA (PC1 = 50%; PC2 = 39%) showed a positive association between sweetness potency and RM (Stevia D: high RM) and a negative association with rubusoside (Stevia B: higheer R and lower potency). Temporal sensory results (TDS) showed that while sucrose exhibited the expected TDS profile (dominant and prolonged sweetness), stevia samples presented shorter curves, unstable dominance, and rapid transitions among attributes. This behavior reflects the complexity of the matrix and the chemical–sensory interactions between bitter compounds and steviol glycosides. Matrix effects emphasize that the sensory performance of natural sweeteners must be interpreted in the context of the final application, as texture, fat content, and cocoa phenolic compounds may alter perception kinetics, enhancing bitterness perception of less glycosylated steviol glycosides (RC and R), as seen in samples with Stevia B and E, and interfering with the sensory dominance of compounds associated with dominant sweetness profile and without undesirable residual (RM and RD), even in samples with high sweetening power. In conclusion, although steviol glycosides are high-intensity sweeteners, their sweetness potency and temporal sensory profiles vary according to their chemical composition and interactions within the food matrix. These findings reinforce the importance of controlling the chemical composition of glycoside blends to minimize undesirable aftertastes and achieve sensory balance. The results provide valuable insights for the food industry to support sucrose replacement strategies in different products.

Keywords

Descrição

Área de concentração

Ciência dos Alimentos

Linha de pesquisa

Desenvolvimento de Produtos, Análise Sensorial e Embalagem

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FREIRE, Tassyana Vieira Marques. Avaliação do comportamento sensorial de edulcorantes de estévia com diferentes composições químicas aplicados em mousse de chocolate vegano. 2026. 90 p. Tese (Doutorado em Ciência dos Alimentos) - Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2025.

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