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Anarquizar a clínica em defesa de outras vidas para a educação
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Resumo
O objetivo do artigo é desenvolver a hipótese analítica de que a experiência da doença na clínica, uma vez perpassada por condições históricas e críticas, desenrolou-se paralelamente a uma concepção de vida e que, portanto, prenunciou implicações para a concepção de biopolítica em Foucault. Para haver uma concepção de vida, outras tiveram de ser abandonadas. Em jogo encontra-se “o conjunto dos gestos pelos quais a doença, em uma sociedade, é envolvida, medicamente investida, isolada, repartida em regiões privilegiadas e fechadas, ou distribuída pelos meios de cura, organizados para serem favoráveis”. Conceberemos na ideia de “anarquizar” a clínica como possibilidade de romper com seus fundamentos, na direção da anarqueologia proposta por Foucault nas primeiras aulas de 1980, a possibilidade de uma resistência a esse processo. Daí, é necessária uma atitude de desconfiança a todo e qualquer poder, em sua origem mesma de normalização; desconfiar dos poderes sobre a vida que se construíram e se constroem em torno da clínica, colocando em questão seu fundamento (arkhé) significa colocar em questão as alianças entre a clínica e a biopolítica, pensando a educação.
Abstract
The objective of the paper is to develop the analytical hypothesis that the experience of illness in the clinic, once permeated by historical and critical conditions, unfolded in parallel with a conception of life and that, therefore, foreshadowed implications for Foucault’s conception of biopolitics. In order to affirm a conception of life, others had to be abandoned. At stake is “the set of gestures by which the disease, in a society, is involved, medically invested, isolated, distributed in privileged and closed regions, or distributed by means of cure, organized to be favorable”. We will conceive in the idea of “anarchizing” the clinic as a possibility of breaking with its foundations, in the direction of the anarcheology proposed by Foucault in the first classes of 1980, the possibility of resistance to this process. Hence, an attitude of distrust of any power is necessary, in its very origin of normalization; distrusting the powers over life that were built and are built around the clinic, questioning its foundation (arkhé) means questioning the alliances between the clinic and biopolitics, thinking about education.
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CARVALHO, Alexandre Filordi de; GALLO, Sílvio. Anarquizar a clínica em defesa de outras vidas para a educação. Educação Unisinos, São Leopoldo, v. 27, p. 1-16, 2023. DOI: https://doi.org/10.4013/edu.2023.271.39.
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