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Conflitos agrários e violência pró-capitalista: uma ANTi-história das narrativas sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST)

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Arquivo retido a pedido da autoria, até maio de 2027.

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Departamento de Administração e Economia

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Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)

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Sociais
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Direitos humanos e justica
Educação
Meio ambiente
Trabalho

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

ODS 1: Erradicação da pobreza
ODS 2: Fome zero e agricultura sustentável
ODS 3: Saúde e bem-estar
ODS 4: Educação de qualidade
ODS 5: Igualdade de gênero
ODS 8: Trabalho decente e crescimento econômico
ODS 10: Redução das desigualdades
ODS 12: Consumo e produção responsáveis
ODS 13: Ação contra a mudança global do clima

Dados abertos

Resumo

A violência está presente em todos os contextos de tentativas de privatização da terra, sobretudo no Sul Global. Isso ocorre devido à necessidade de se recorrer à violência para viabilizar a acumulação capitalista, que se baseia na expropriação de terras de comunidades indígenas, famílias camponesas e outras formas de posse coletiva da terra, que não se enquadram nos padrões de propriedade privada voltada para altos índices de produção. Essa expropriação acontece por meio da violência pró-capitalista. A violência pró-capitalista refere-se ao fenômeno em que os Movimentos Sociais de Cima (Social Movements from Above) agem contra os Movimentos Sociais de Baixo (Social Movements from Below), por meio da repressão que parte de grupos paramilitares aliados a setores do agronegócio, da indústria e da mineração etc., e que muitas vezes também conta com o apoio do Estado. O cenário dos conflitos agrários no Brasil evidencia uma intensa disputa de interesses em relação à posse e uso da terra. Em meio a essa situação, o MST surge como uma figura central, frequentemente retratado de maneira negativa pela opinião pública brasileira, que o caracteriza como criminoso, transgressor, perverso. No entanto, existem outras narrativas em jogo que contestam esse consenso hegemônico. Tomando como objeto de pesquisa as diferentes narrativas sobre o MST e as histórias que envolvem o Movimento, o objetivo deste estudo é contar uma ANTi-história a partir das narrativas construídas sobre o MST. Pretendi, portanto, buscar as narrativas esquecidas, criminalizadas e sufocadas sobre a questão agrária no Brasil e apresentar o que elas têm a dizer. Para tanto, usei como metodologias a cartografia de controvérsias para mapear tais atores e a ANTi-história para contar a história na perspectiva dos subalternizados. A partir dos resultados deste estudo, contribuo para o emprego da metodologia ANTi-história em pesquisas no campo das ciências sociais, sobretudo no contexto dos movimentos sociais, e, mais do que isso, tensiono a própria metodologia ao discutir seus limites e possibilidades nesses contextos. Do ponto de vista teórico contribuo para alternativas interpretativas sobre os movimentos campesinos e a luta pela terra no Brasil e na conjuntura internacional.

Abstract

Violence is present in all contexts involving attempts to privatize land, particularly in the Global South. This occurs due to the need to resort to violence in order to enable capitalist accumulation, which is based on the expropriation of land from Indigenous communities, peasant families, and other forms of collective land tenure that do not conform to patterns of private property oriented toward high levels of production. Such expropriation takes place through pro-capitalist violence. Pro-capitalist violence refers to the phenomenon in which Social Movements from Above act against Social Movements from Below through repression carried out by paramilitary groups allied with sectors of agribusiness, industry, and mining, among others, and which often also receives support from the state. The scenario of agrarian conflicts in Brazil reveals an intense dispute of interests regarding land ownership and use. In this context, the Landless Workers’ Movement (MST) emerges as a central actor, frequently portrayed negatively by Brazilian public opinion, which characterizes it as criminal, transgressive, and perverse. However, other narratives are at play that challenge this hegemonic consensus. Taking as its object of research the different narratives about the MST and the stories surrounding the Movement, the aim of this study is to tell an ANTi-history based on the narratives constructed about the MST. Thus, I sought to recover the forgotten, criminalized, and silenced narratives surrounding the agrarian question in Brazil and to present what they have to say. To this end, I employed controversy mapping to identify and map the actors involved, and ANTi-history as an approach to narrate the history from the perspective of subalternized groups. Based on the results of this study, I contribute to the use of the ANTihistory methodology in research within the field of the social sciences, particularly in the context of social movements. More than that, I critically engage with the methodology itself by discussing its limits and possibilities in these contexts. From a theoretical perspective, I contribute to alternative interpretive approaches to peasant movements and to the struggle for land in Brazil and in the international context.

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Estudos Organizacionais

Linha de pesquisa

Organizações, Gestão e Sociedade

Agência de desenvolvimento

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ABREU, Kellen Cristina de. Conflitos agrários e violência pró-capitalista: uma ANTi-história das narrativas sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). 2026. 347 p. Tese (Doutorado em Administração) - Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2026.

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