dissertação

Subindo a montanha: o que a anatomia foliar pode revelar sobre as estratégias das árvores que ocorrem em gradientes

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Resumo

Gradientes altitudinais constituem importantes eixos ambientais que integram variações climáticas, edáficas e microclimáticas, influenciando diretamente a estrutura e o funcionamento das plantas. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo avaliar a variação anatômica foliar e a plasticidade fenotípica de Myrceugenia rufescens, Drimys brasiliensis e Solanum asperum ao longo de um gradiente altitudinal em áreas de Floresta Ombrófila Densa Montana da Mata Atlântica. Foram realizadas análises anatômicas de folhas completamente expandidas, incluindo atributos epidérmicos, estomáticos, de tecidos fotossintéticos e vasculares, associadas à caracterização de variáveis edafoclimáticas e à ocorrência das espécies nas parcelas amostrais. Os resultados evidenciaram que a altitude exerce influência sobre a anatomia foliar das espécies, promovendo ajustes estruturais associados às condições térmicas, hídricas e edáficas ao longo do gradiente. Drimys brasiliensis apresentou modificações anatômicas mais robustas, relacionadas a estratégias conservativas de uso de recursos. Myrceugenia rufescens exibiu variações sutis, porém consistentes, refletindo uma estratégia intermediária compatível com ambientes úmidos e com elevada nebulosidade. Solanum asperum destacou-se pela maior plasticidade anatômica, especialmente pela flexibilidade estrutural do mesofilo, favorecendo sua ocorrência em diferentes faixas altitudinais. De modo geral, os resultados demonstram que a anatomia foliar responde de forma plástica às variações impostas pelo gradiente altitudinal, refletindo estratégias ecológicas distintas entre as espécies. O estudo contribui para o entendimento das respostas estruturais de plantas em florestas montanas da Mata Atlântica e fornece subsídios para a avaliação da resiliência das espécies frente a cenários de mudanças ambientais.

Abstract

Altitudinal gradients constitute important environmental axes that integrate climatic, edaphic, and microclimatic variations, directly influencing plant structure and functioning. In this context, this study aimed to evaluate leaf anatomical variation and phenotypic plasticity in Myrceugenia rufescens, Drimys brasiliensis, and Solanum asperum along an altitudinal gradient in Montane Dense Ombrophilous Forest areas of the Atlantic Forest. Anatomical analyses were conducted on fully expanded leaves, including epidermal, stomatal, mesophyll, and vascular traits, in association with the characterization of edaphoclimatic variables and species occurrence within the sampling plots. The results showed that altitude exerts a significant influence on leaf anatomy, promoting structural adjustments associated with thermal, hydric, and edaphic conditions along the gradient. Drimys brasiliensis exhibited more robust anatomical modifications related to conservative resource-use strategies. Myrceugenia rufescens displayed subtle but consistent variations, reflecting an intermediate strategy compatible with humid environments and high cloud cover. Solanum asperum stood out due to its greater anatomical plasticity, particularly the high density of trichomes and the structural flexibility of the mesophyll, which favors its occurrence across different altitudinal ranges. Overall, the results demonstrate that leaf anatomy responds plastically to variations imposed by the altitudinal gradient, reflecting distinct ecological strategies among species. This study contributes to the understanding of structural plant responses in Atlantic Forest montane ecosystems and provides insights into the resilience of species under scenarios of environmental change.

Descrição

Área de concentração

Botânica Aplicada

Linha de pesquisa

Estrutura e Funcionamento das Plantas

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EZAÚ, Iara Aparecida Genésio. Subindo a montanha: o que a anatomia foliar pode revelar sobre as estratégias das árvores que ocorrem em gradientes. 2026. 68 p. Dissertaçãqo (Mestrado em Botânica Aplicada) - Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2026.

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