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Bagaço de cana-de-açúcar como fonte de glicose: pré-tratamento corona
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Sociedade Brasileira de Química
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Resumo
Os materiais lignocelulósicos possuem uma natureza polimérica bastante complexa, assim, para que a reação
de hidrólise desses materiais seja efetiva e obtenha-se alto rendimento em glicose é necessário, antes da
reação, um pré-tratamento do material. Nesse trabalho o pré-tratamento corona (descarga elétrica) foi
aplicado em três materiais (celulose micro cristalina, polpa celulósica e bagaço de cana-de-açúcar) e,
posteriormente, o efeito desse pré-tratamento em diferentes propriedades dos materiais foi avaliado. Para
isso o corona foi aplicado nos materiais em três diferentes tempos de exposição (2, 6 e 10 minutos). Análises
de cristalinidade via dados de difratometria de raios X mostraram um aumento considerável desse índice nas
amostras de bagaço de cana-de-açúcar após o pré-tratamento. Não houve modificação da acidez dos
materiais com o pré-tratamento. Testes de adsorção de corantes catiônicos e aniônicos nos materiais prétratados indicam que a superfície do bagaço de cana-de-açúcar é carregada negativamente. A quantidade de
azul de metileno adsorvido nos materiais diminuiu com o aumento do tempo de exposição ao pré-tratamento
corona (PT-C). Os produtos das reações de hidrólise ácida dos materiais pré-tratados e não pré-tratados
foram avaliados em relação à quantidade de açúcares redutores totais (ART). Houve ligeira diminuição na
conversão em açúcares redutores totais (ART) após o pré-tratamento corona (PT-C), principalmente na
amostra de bagaço de cana-de-açúcar (BC). Por outro lado, análises de HPLC dos produtos das reações de
hidrólise mostraram que maiores rendimentos em glicose (matéria-prima de interesse para produção de
etanol de segunda geração) foram obtidos a partir do BC pré-tratado.
Abstract
Lignocellulosic materials have a complex polymeric structure, so, to obtain a high yield of glucose by
hydrolysis reactions is necessary a pretreatment of the material. In this work, the effect of pretreatment
corona (electric discharge) on different properties in three lignocellulosic materials (microcrystalline cellulose,
cellulose pulp and bagasse) was evaluated. corona treatment was applied in three different exposure times
(2, 6 and 10 minutes). Crystallinity, obtained by X-ray diffraction, showed a significant increase in samples of
bagasse after pretreatment. No changes in acidity of materials was observed. Cationic and anionic tests
indicate that the surface of bagasse is negatively charged after pretreatment. Amount of methylene blue
adsorbed in the materials decreased with increasing of exposure time. Acid hydrolysis of materials with and
without pretreatment were evaluated in amount of total reducing sugars (%TRS). A small decrease in %TRS
occurred after pretreatment corona mainly in bagasse samples. HPLC analysis of hydrolysis products of
pretreated bagasse showed higher yields in glucose, a raw material of interest for second generation ethanol.
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CARVALHO, J. A. et al. Bagaço de cana-de-açúcar como fonte de glicose: pré-tratamento corona. Revista Virtual de Química, Niterói, v. 9, n. 1, p. 97-106, jan./fev. 2017.
