dissertação

Adição de melatonina ao meio de maturação de oócitos bovinos submetidos ao choque térmico in vitro: efeitos sobre as taxas de produção e qualidade de blastocistos

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Resumo

O estresse térmico por calor aumenta a produção de radicais livres, o que contribui para diminuição da qualidade dos oócitos e dos embriões. Assim, a adição de antioxidantes, como a melatonina, ao meio de maturação in vitro (MIV), tem o potencial de reduzir os prejuízos causados pela alta temperatura. O objetivo foi avaliar os efeitos da adição de melatonina ao meio MIV de oócitos bovinos submetidos ao choque térmico sobre as taxas de produção e qualidade de blastocistos. Os oócitos utilizados, para a produção in vitro de embriões, foram provenientes de ovários de abatedouros e maturados sob choque térmico (12h a 41,0 o C seguido por 12h a 38,5 o C) em meio MIV sem melatonina (0 M) ou acrescido de melatonina nas concentrações 10 -12 ;10 -9 ; 10 -6 e 10 -3 M. No controle positivo (não-estresse), os oócitos foram maturados na ausência de melatonina sob condição convencional (24h a 38,5 o C). No controle DMSO, os oócitos foram maturados em meio contendo 0,46% de DMSO (mesma concentração presente no tratamento 10 -3 M), sob choque térmico. Foi utilizado o delineamento em blocos ao acaso, sendo os blocos constituídos pelos dias de coleta de ovários. Os tratamentos 10 -3 , 10 -6 e 10 -9 M de melatonina e o controle não estresse não diferiram (P>0,05) e resultaram em maior proporção (P<0,05) de embriões com oito ou mais células, no dia 3 de cultivo (D3), em comparação aos tratamentos 10 -12 e 0 M. A proporção de embriões com oito ou mais células no D3 foi maior (P<0,05) no grupo controle DMSO quando comparado com os grupos 10 -9 , 10 -12 e 0 M. A produção de blastocistos, nos dias 7 (D7) e 8 (D8), bem como o número total de células, a proporção de células apoptóticas , em relação ao total de células e a proporção de células apoptóticas na massa celular interna (MCI) não foram influenciados (P>0,05) pela adição de melatonina ou de DMSO ao meio MIV, assim como não foram influenciados pelo choque térmico (0 M vs controle não estresse). O tratamento 10 -6 M resultou em maior proporção (P<0,05) de células da MCI, em relação ao total de células, quando comparado aos tratamentos 10 -9 , 10 -12 , 0 M e DMSO, mas não diferiu (P>0,05) dos tratamentos 10 -3 M e controle não estresse. Por meio de análise de regressão logística, observou-se que a proporção de embriões com oito ou mais células no D3 aumentou, em função da concentração de melatonina (P<0,05) e que a proporção de células da MCI aumentou, a partir da concentração 10 -9 M, atingindo o máximo na concentração 10 -4 M, seguido por redução até 10 -3 M. Conclui-se que a adição de melatonina até 10 -3 M ao meio MIV de oócitos sob choque térmico estimulou o desenvolvimento embrionário ao estádio de 16 células e que a proporção de células da MCI foi aumentada pela adição de melatonina na concentração 10 -4 M ao meio MIV.

Abstract

Heat stress increases the production of free radicals, which contributes to a decrease in the quality of oocytes and embryos. Thus, the addition of antioxidants, such as melatonin, to the in vitro maturation medium (IVM), has the potential to reduce damages from high temperatures. Addition of melatonin to the IVM medium of bovine oocytes submitted to heat shock on production rates and blastocyst quality was evaluated. Slaughterhouse derived oocytes were matured under heat shock (12 h at 41.0 o C followed by 12 h at 38.5 o C) in IVM medium without (0M) or with melatonin at 10 -12 ; 10 -9 ; 10 -6 and 10 -3 M concentrations. In the positive (non-stress) control, oocytes were matured in the absence of melatonin under conventional conditions (24 h at 38.5 o C). In the DMSO control oocytes were matured in medium containing 0.46% DMSO (same concentration as the 10 -3 M treatment), under heat shock. Oocytes were randomly assigned to treatments blocked by days of ovarian collection. Greater proportions (P <0.05) of embryos with eight or more cells on day 3 of culture (D3) were observed in the 10 -3 , 10 -6 and 10 -9 M melatonin treatments and non-stress control compared to 10 -12 and 0 M treatments. The proportion of embryos with eight or more cells in D3 was higher (P <0.05) in the DMSO control compared to 10 -9 , 10 -12 e 0 M groups. Blastocyst production on days 7 (D7) and 8 (D8), total number of cells, apoptotic cells to total cell ratio and the proportion of apoptotic cells to the inner cell mass (ICM) (P> 0.05) did not change by the addition of melatonin or DMSO to the IVM medium nor by heat shock (0 M vs non-stress control). The 10 -6 M treatment resulted in a greater proportion (P <0.05) of ICM in relation to total cells compared to 10 -9 , 10 -12 , 0 M and DMSO treatments, but did not differ (P> 0.05) from the 10 -3 M treatment and non-stress control. The greater the melatonin concentration the greater the proportion of embryos with eight or more cells in D3 increased (P <0.05). The proportion of MCI cells increased from 10 -9 M, peaking at 10 -4 M, followed by a reduction at 10 -3 M. In conclusion, the addition of melatonin up to 10 -3 M in the MIV medium of oocytes under heat shock stimulated embryonic development to the 16-cell stage and the proportion of MCI cells was increased by the addition of 10 -4 M melatonin to the IVM medium.

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LIMA, P. H. Adição de melatonina ao meio de maturação de oócitos bovinos submetidos ao choque térmico in vitro: efeitos sobre as taxas de produção e qualidade de blastocistos. 2018. 59 p. Dissertação (Mestrado em Ciências Veterinárias)–Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2018.

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