tese
Água pra quê(m): discurso e identidade na resistência à superexploração de água mineral em São Lourenço
Carregando...
Notas
Data
Orientadores
Editores
Coorientadores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Lavras
Faculdade, Instituto ou Escola
Departamento
Departamento de Administração e Economia
Programa de Pós-Graduação
Programa de Pós-Graduação em Administração
Agência de fomento
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG)
Tipo de impacto
Áreas Temáticas da Extenção
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
Dados abertos
Resumo
Esta tese é o resultado de uma pesquisa que visou investigar o processo de resistência à
superexploração de águas minerais em São Lourenço (Minas Gerais), à luz da opção
decolonial. Para desenvolver o estudo proposto, a pesquisa se orientou epistemologicamente
pela abordagem da Análise do Discurso Crítica e Decolonial. Para reunir o material empírico,
utilizou-se pesquisa documental e a entrevista história oral conduzida por meio de roteiro
semiestruturado com atores envolvidos diretamente no debate sobre a superexploração das
águas minerais em São Lourenço, membros dos grupos de resistência a esta superexploração.
Para as análises de dados, foram utilizadas categorias da Análise de Discurso Crítica, como a
intertextualidade, a modalidade, a coesão, a metáfora, a representação de atores sociais, a
avaliação. Os resultados das análises apontam que, por trás da reprodução e legitimação do
discurso de sustentabilidade ou responsabilidade social pela sociedade, há ações prejudiciais
ao meio ambiente. Este discurso frequentemente reproduzido e legitimado encobre as
intenções capitalistas e as relações construídas sócio -histórica-culturalmente que favorecem as
ações predatórias de transnacionais em países de terceiro mundo ou colonizados, como ocorre
na relação específica entre São Lourenço e Nestlé. Os subalternizados consideram que
natureza, indivíduo e cultura estão em conexão, mas não como algo a ser dominado, e sim
como uma realidade que existe concretamente, embora todo o aparato (colonial) neoliberal
insista em negá-la. A partir dessa perspectiva, infere-se que a identidade de resistência e
guardiões dos atores subalternizados identificada nesse estudo é considerada um exercício de
decolonização, uma vez que reivindica a sua identidade negada ao repudiar a racionalidade
instrumental imposta pela Nestlé em detrimento da relação entre natureza e sociedade. Apesar
disso, as relações de poder estabelecidas entre os atores sociais envolvidos na superexploração
de água mineral em São Lourenço, reflete o poder de subjugação da colonialidade do poder,
minando as tentativas de resistência à sua presença e impondo sua lógica neoliberal. É
possível perceber que os subalternizados têm consciência de sua condição, percebem o
―outro‖, percebem a diferença colonial, mas sua contra-história é exterminada pelo
neoliberalismo (colonialidade do poder).
Abstract
This thesis is the result of a research that aimed to investigate the process of resistance to the
overexploitation of mineral waters in São Lourenço (Minas Gerais), in light of the decolonial
option. In order to develop the proposed study, this research was oriented epistemologically
by the Critical and Decolonial Discourse Analysis approach. To gather the empirical material,
we used documentary research and the oral history interview conducted through a semistructured script with actors directly involved in the discussion on the overexploitation of the
mineral waters in São Lourenço, members of the resistance groups to this overexploitation.
For the data analysis we used categories of Critical Discourse Analysis, such as
intertextuality, modality, cohesion, metaphor, representation of social actors, evaluation.
Analyzes results indicate that behind the reproduction and legitimation of the discourse of
sustainability or social responsibility by society there are actions that are harmful to the
environment. This frequently reproduced and legitimized discourse covers capitalist
intentions and socio -historically -culturally constructed relations that favor the predatory
actions of transnational in third world or colonized countries, as in the specific relation
between São Lourenço and Nestlé. Subalterns consider that nature, individual, and culture are
in connection, but not as something to be dominated, but as a reality that exists concretely,
even though the entire (colonial) neoliberal apparatus insists on denying it. From this
perspective it is inferred that the identity of resistance and guardians of the subordinate actors
identified in this study is considered an exercise of decolonization, since it claims its denied
identity by repudiating the instrumental rationality imposed by Nestlé to the detriment of the
relation between nature and society. Nevert heless, the power relations established among the
social actors involved in the overexploration of mineral water in São Lourenço reflect the
power of subjugation of the coloniality of power undermining attempts at resistance to its
presence and imposing its neoliberal logic. It is possible to perceive that the subalterns are
aware of their condition, perceive the "other", perceive the colonial difference, but their
counter history is exterminated by neoliberalism (coloniality of power).
Descrição
Área de concentração
Agência de desenvolvimento
Palavra chave
Marca
Objetivo
Procedência
Impacto da pesquisa
Resumen
ISBN
DOI
Citação
LOBATO, C. B. de P. Água pra quê(m): discurso e identidade na resistência à superexploração de água mineral em São Lourenço. 2018. 139 p. Tese (Doutorado em Administração)-Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2018.
