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Histórico de incêndios em campos rupestres disjuntos: um estudo de caso em Carrancas, Minas Gerais

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Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)

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Incêndios recorrentes representam o pior cenário de fogo para os ecossistemas naturais, pois resultam das alterações nos regimes de fogo sustentáveis dos ambientes. Informações sobre regimes atuais quase não estão disponíveis para os campos rupestres, ainda mais aqueles não protegidos legalmente, o que poderia direcionar melhores estratégias de gestão do fogo. Nosso objetivo foi descrever e analisar os regimes de fogo sem controle em remanescentes de campos rupestres, por meio de um estudo de caso no município de Carrancas, sul de Minas Gerais. Foram identificados e analisados os registros de incêndios e mapeadas as áreas consideradas pelos atores sociais locais como suscetíveis ao fogo. A coleta de dados se deu por meio do levantamento de fontes secundárias e a metodologia participativa de mapeamento comunitário realizada em um grupo focal. As informações foram sistematizadas em uma matriz histórica, e gerado um mapa de áreas suscetíveis. Foram identificados 43 registros de incêndios entre os anos de 2010 a 2019. Os campos nativos foram os mais atingidos, seguidos pelas áreas de preservação permanente. Nossos achados reforçam que regimes inadequados de fogo que evoluem para incêndios têm sido recorrentes em campos rupestres disjuntos, principalmente pelo aumento de ocorrências na estação seca tardia. Também, revelam que as áreas de serras são as mais suscetíveis ao fogo sob essas condições, os riscos à biodiversidade e aos serviços ecossistêmicos. É urgente assegurar um regime de fogo sustentável, reconhecendo o papel ecológico e sociocultural do fogo, e, assim, incorporar o manejo tradicional do fogo como prática conservacionista.

Abstract

Recurring fires represent the worst fire scenario to natural ecosystems because they result from changes in the environment’s sustainable fire regimes. Data on current regimes could drive better fire management strategies, but they are barely available for campos rupestres (rupestrian grasslands), particularly those that are legally unprotected. Here, we aimed to describe and analyse uncontrolled fire regimes in campo rupestre remnants using a case study in the municipality of Carrancas, southern Minas Gerais. We identified the fire records and mapped fire-prone areas according to local social actors. The data were collected through a survey of secondary sources and participatory community mapping with a focal group. We synthesised the collected information in a historical matrix and generated a map of fire-prone areas. 43 fire records were identified between 2010 and 2019. Native grasslands, followed by permanent preservation areas, were the most affected by the fires. Our findings reinforce that inadequate fire regimes have been recurrent in disjunct campos rupestres, mainly due to the increase in fire occurrences in the late dry season. They also reveal the susceptibility of mountain areas under these conditions and the risks to biodiversity and ecosystem services. It is urgent to ensure sustainable fire regimes, acknowledging the ecological and sociocultural roles of fire and to introduce traditional fire management as a conservationist practice.

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RODRIGUES, C. C. et al. Histórico de incêndios em campos rupestres disjuntos: um estudo de caso em Carrancas, Minas Gerais. Biodiversidade Brasileira, Brasília, DF, v. 12, n. 2, p. 1-16, 2022. DOI: 10.37002/biobrasil.v12i2.1866.

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